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///A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS///
2007-12-10
A RESPOSTA DA CURIÓ
Na mata virgem, cantavam os passarinhos,
Cada qual com a voz que Deus lhe deu.
Uns vibrantes, outros ternos, compunham a sinfonia
Com que saudavam o sol surgindo no horizonte,
Trazendo para a mata a bênção de um novo dia.
A curiosinha cantava triste e desafinada,
Desde que seu grande amor foi aprisionado,
Cantava sua saudade e sua solidão
Com a voz cada vez mais cava e sem harmonia
Pois não havia em toda aquela floresta
Algum pássaro capaz de conquistar-lhe o coração
Fazendo-a esquecer o seu amor distante.
Até que numa manhã de primavera...
Era madrugada ainda e o sol apenas espiava
Por entre as sombras da noite o novo dia
Quando ela de repente.... Não podia acreditar no que ouvia
Era ele! O seu curió querido, de volta, esfuziante e livre
Soltando a voz naquele tom inconfundível
Chamando por ela com volúpia e ansiedade.
E ela, ao responder-lhe o apelo carinhoso
Sentiu no peito uma nova força vinda não sabia de onde
Que lhe deu de repente, o dom de bem cantar
Qual soprano de penas, em exuberante exibição
Respondeu-lhe o apelo na mais doce, viva e bela voz
Fazendo do seu canto lírico um testemunho vivo
De que até entre os pássaros se realizam
Os milagres do amor.
Bisa Maith
9:30 PM
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2007-11-04
CONFIDÊNCIAS DE UM CURIÓ
Nasci numa floresta virgem, no alto de uma árvore centenária.
Meu berço foi um singelo ninho feito de palha, mas, embora aparentemente frágil era suficientemente forte para me abrigar das tempestades e afastar-me dos animais predadores.
Minha mãe era carinhosa e nos meus primeiros dias de vida trazia-me o alimento e cuidava de mim.
Mas, eu cresci muito depressa. Logo aprendi a voar e a procurar o meu próprio alimento.
Aprendi também a cantar e o meu canto era maravilhoso.
Todas as manhãs eu soltava a voz em chilreios vibrantes e ouvia ao longe a resposta, um gorjeio desafinado, mas que me parecia a mais bela melodia, pois vinha de minha namorada, uma curiózinha encantadora.
Entretanto, o meu dom de bem cantar foi a minha desgraça, pois despertei o desejo de pessoas desalmadas ter-me preso em uma gaiola cantando para diverti-las.
E, foi assim que tudo aconteceu.
Eu estava faminto e vi alguns grãos no chão. Desci para comer e então senti que um cesto caia sobre mim prendendo-me.
Fiquei desesperado, não tinha como escapar dali e então vi uma mão enorme adentrando o cesto.
Tentei passar pela pequena abertura, mas não consegui e aquela mão agarrou-me com força e me levou embora,
Que covardia! Em igualdade de condições, em campo aberto, duvido muito que aquele sujeito conseguisse me pegar. Mas, ele era mais forte do que eu, ou mais inteligente e eu agora estava em sua mão.
Levou-me para sua casa e prendeu-me em uma gaiola.
Ele não me tratava mal. Dava-me sempre comida e água fresca e colocou-me em um lugar protegido.
Prendeu até o Duque, um canzarrão que quando me viu ficou louco para me abocanhar.
Mas, tirou-me a liberdade e eu fiquei muito triste. Nem cantar eu queria mais.
: E, então, pensei cá comigo:
Vou ficar calado. Quem sabe assim ele perde o interesse por mim e me solta.
Mas, qual!
Ele queria a todo custo que eu cantasse e quando comentou minha mudez com um amigo este lhe disse:
- Você fura os olhos dele! Ficando cego ele vai cantar. Você vai ver.
- Será? Eu não tenho coragem...
- Deixe de ser bobo! Amanhã eu venho aqui e faço o serviço pra você.
Fiquei desesperado. Alem de preso, cego!
Passei a noite em claro pensando em um jeito de livrar-se do sacrifício, mas não atinava com nada. Estava mesmo perdido.
Já de madrugada, porém, ouvi um barulho vindo do canil.
O Duque conseguiu abrir o portão, escapou e veio correndo pegar-me.
Mas, quando de um salto ele abriu a porta da gaiola, eu sai voando enquanto ele ficava pulando e latindo como doido.
Meu dono veio correndo, mas, hahahahaha! Pegue-me agora, se for capaz!
Minhas asas estavam entorpecidas pela falta de movimento, mas consegui pousar em uma árvore, dali para outra, até que recuperando a forma voei para longe, para a floresta que era o meu lugar.
O dia estava amanhecendo. Pousei em uma arvora muito alta e soltei o meu canto vibrante saudando o sol que despontava.
E, emocionado ouvi um chilrear fraquinho me respondendo. Era a minha curiózinha desafinada que estivera o tempo todo a minha espera.
Bisa Maith
3:25 PM
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2006-12-11
MILAGRE DE NATAL
A notícia correu o mundo todo; Jesus, o Messias prometido e esperado por todos, nascera em Belém.
A novidade chegou até o campo onde pastavam um grupo de ovelhas.
Todas ficaram alvoroçadas, querendo ir conhecer o Menino Jesus, mas achavam que era impossível, pois estavam muito longe e nem conheciam o caminho.
Porém, havia entre elas, a mais humilde, cega de nascença, que decidiu-se:
- Eu vou!
As outras caçoaram da sua pretensão:
- Como? Logo você que nem sequer pode ver a Estrela, como vai chegar lá?
- Pois eu vou, perguntando, farejando, dando um jeito.
E partiu.
A ceguinha era muito esperta. Compensava sua deficiência com ouvido e faro apurados. Sabia onde encontrar alimento e como se defender dos predadores.
Mas a estrada era longa e ela muitas vezes ficava com medo, mas, fazia uma prece e continuava a caminhada certa de que Jesus ia ajudá-la a chegar até ele.
Ela queria muito poder ver o Menino Jesus, mas, se conformava lembrando que poderia ouvir seus balbucios de bebê, sentir o seu perfume e talvez até tocar de leve nas suas vestes.
Quando encontrava alguém que lhe dava atenção, perguntava onde estava a Estrela para ter a certeza de que ia para o lado certo.
Os outros animais caçoavam dela:
- Coitada! Além de cega é maluca! Imagine se ela vai conseguir chegar lá.
De repente um lobo faminto apareceu e foi para cima dela pronto a devorá-la, mas ela suplicou:
- Por favor, seu lobo, deixe-me viver. Eu quero tanto encontrar o Menino Jesus. Depois você pode até me comer, mas não agora!
O lobo deteve-se e para surpresa da ovelhinha respondeu:
- Então, é verdade mesmo que o Messias chegou?
- Sim! Todos estão comentando. Você não está vendo uma estrela diferente das outras, brilhando até durante o dia?
- É verdade. Lá está ela, mas e daí?
- Ela está assinalando o lugar onde se encontra o recém-nascido para que todos possam chegar até Ele;
- Que interessante! Acho que vou com você. Também quero conhecer esse prodígio.
- Que bom! Agora terei companhia. Juntos podemos até chegar mais depressa. Como vê, eu não enxergo e isto, ás vezes, atrapalha um pouco.
- Cega? Nem notei. Você supera bem a sua deficiência. Você percebeu que eu sou surdo?
- Surdo? E como é que ouviu o que falei?
- Você não aprendeu a ouvir as cores? Eu aprendi a ver os sons. Cada qual se vira com o que tem.
E os dois continuaram o caminho.
Todos que os viam juntos ficavam perplexos. Como pode ser isso? Amizade entre um lobo e uma ovelha?
Alguns caçadores passaram por eles e um deles falou:
- Olhem lá um lobo que parece ser manso. Vamos capturá-lo e depois a gente vende para um circo ou um zoológico.
Mas quanto se aproximou com um laço na mão o lobo arrepiou-se todo, abriu a bocarra e ameaçou atacá-lo. Amedrontado, ele largou o laço no chão e correu, tropeçando, caindo e levantando, afastando-se o mais rápido possível.
O lobo deu uma gargalhada (no seu estilo, é claro!)
- Olhe lá o idiota! Se eu quisesse mesmo atacá-lo não adiantava correr!
Mais além encontraram com um turista com uma máquina fotográfica na mão:
- Que curioso! Um lobo e uma ovelha lado a lado. Vou tirar uma foto, pois se contar esta, ninguém vai acreditar.
O lobo aproximou-se mais da ovelha e colocou delicadamente uma pata sobre o seu dorso, posando para a foto que, com certeza fez sucesso entre os amigos do fotógrafo.
E assim, de aventura em aventura, os dois finalmente chegaram a uma gruta onde Jesus descansava sob os olhares carinhosos de Maria e José, os seus pais.
Os dois animais aproximaram-se respeitosamente e emocionados fizeram uma prece de agradecimento por terem conseguido chegar até ali para conhecê-lo.
E foi então que uma coisa maravilhosa aconteceu. De repente os olhos mortos da ovelhinha voltaram a vida e ela pode ver a Criança e tudo que a rodeava.
- Como o mundo é belo! Que felicidade poder ver!
Ao mesmo tempo o lobo soltou um uivo estridente, só para constatar se era mesmo verdade.
Ele também estava ouvindo!
Bisa Maith
3:13 PM
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2006-11-29
DÁ O PÉ, RIQUINHO!
Um papagaio muito jovem foi apanhado na mata e levado para a cidade, a uma casa onde já havia um papagaio bem mais velho.
Como chamavam o papagaio velho de Rico começaram a chamar o papagaio novo de Riquinho.
Riquinho estava muito triste e se queixava para o velho companheiro.
- Não gosto desta gente. Colocaram uma corrente na minha perna, presa a gaiola para eu não poder ir mais longe.
- Você precisa ter paciência. Quando você estiver acostumado e eles tiverem certeza de que não vai fugir. você será solto.
- Se me soltarem eu vou embora.
- Por isso mesmo é que você precisa ficar preso, Se não, foge.
E enquanto o Rico passeava pelo quintal, andava sobre o muro e até escondia-se entre as folhas de uma árvore, o Riquinho ficava preso na gaiola amargando sua sorte.
Às vezes D. Herminia, a mamãe dos meninos, chegava até à gaiola e tentava brincar com ele. Estendia-lhe o dedo:
- Dá o pé!
Mas ele dava era uma bicada no dedo dela.
- Ai! Papagaio sem educação! Eu ainda vou dar você para o gato comer!
Mas não dava. Pelo contrario, oferecia-lhe comida e tentava ¿coçar o piolho¿.
Outra bicada e ela desistia. Ia brincar com o Rico que subia no seu dedo e cantava com ela
- Comprei um pé de porco ...
- Pra fazer farofa
- Fa fa fa fa fa fa fa farofa!
O Rico dizia para o amiguinho:
- Você precisa aprender a língua dos homens.
- Enquanto não me soltarem não aprendo nada nem faço nada que eles querem.
- E quando soltarem?
- Eu vou embora.
- Por isso é que não te soltam. Enquanto não tiverem certeza de que você não vai fugir você vai ficar preso.
- E como é que eles ficaram sabendo que pretendo fugir? Será que nos ouviram conversando?
- Não. Eles não entendem a língua dos papagaios. Neste ponto somos mais inteligentes do que eles. Nós aprendemos a língua deles, mas eles não aprendem a nossa.
Mas eles são muito espertos, Não adianta bater de frente com eles. E melhor ser bonzinho. Afinal, a vida de papagaio aqui não é tão ruim assim.
À medida que o tempo passava, Riquinho começou a convencer-se de que só tinha a perder continuando com a sua birra.
A mamãe desistiu de mexer com ele e proibiu as crianças de chegarem perto pois ele dava bicadas muito doloridas.
Enquanto isso o Rico que era mansinho vivia de dedo em dedo conversando com uns e com outros na língua dos homens.
Naquela manhã, Aristeu, o papai, que era o único que não tinha medo do Riquinho, chegou perto e estendeu-lhe o dedo já esperando pela bicada:
- Dá o pé!
- Com muito esforço ele repetiu:
- Dá o pé!
E subiu no dedo dele.
Aristeu ficou surpreso, como é que ele mudou de repente o comportamento?
Tentou falar outra frase:
- Riquinho do papai
- Riquinho do papai!
Riquinho começou a achar divertida a brincadeira. A língua dos homens lhe parecia fascinante.
O papai tirou a corrente de sua perna e levou-o até a cozinha para exibir suas recém adquiridas habilidades.
Todos ficaram encantados. Principalmente as crianças. Queriam ensinar tudo de uma vez, mas é claro que ele só conseguiu aprender algumas palavras.
Mas divertiu-se muito. Que tolo que ele fôra ficando tanto tempo amuado!
Só bem mais tarde o levaram de volta à gaiola mas ele nem se incomodou com a corrente pois já sabia que estava por pouco. Em breve ele seria tão livre quanto o Rico.]
E nem pensava mais em fugir.
Bisa Maith
11:24 PM
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2006-09-10
XV = PIMPÃO E MIMI
Desde quando podia lembrar-se Pimpão morou naquela casa, ou melhor, naquele quintal pois não lhe era permitido entrar na casa.
Papai e Mamãe, como as crianças os chamavam, o garoto Enzo e a menina Isabela eram a sua família.
Pimpão gostava muito do Enzo, com quem brincava muito no quintal entre correrias gritos e latidos.
A menina era mais chatinha. Gostava de judiar dele, puxando-lhe as orelhas ou o rabo. Ele dava um bote, ameaçando morder, ela gritava, a Mamãe vinha correndo e lhe dava umas pancadas com um rolo de jornal.
O papel não machucava mas Pimpão não gostava de apanhar. Ficava ofendido pois só ameaçava para impor respeito, nunca morderia a Isabela.
A Mamãe era muito implicante. Ficava zangada quando ele arrancava as roupas do varal ou mastigava os sapatos que as crianças deixavam no quintal
Era ela que o levava ao veterinário para tomar vacinas. Ele sabia que era para o seu bem mas não gostava dos cutucões.
Mas ela não era de todo má. Dava-lhe comida, trocava a sua água e limpava sua casinha.
Além disso ainda o deixava entrar na cozinha quando trovejava ou quando soltavam rojões porque ele tinha medo do barulho e ficava acariciando-lhe a cabeça e conversando com ele até passar o temporal ou o foguetório.
O Papai não ligava muito pra ele, mas aos domingos levava-o passear, com as crianças.
Ele adorava os passeios. Só seria melhor se deixassem ele correr solto pela rua mas isso era privilégio dos viralatas que estão acostumados com o trânsito e não se deixam atropelar.
Pimpão só detestava mesmo a Mimi, uma gatinha angorá toda dengosa que era o ai-jesus de todos.
Ela podia andar pela casa toda, dormir nas almofadas da sala, e estava sempre no colo de um ou outro.
Até brincar com o novelo de lã quando a Mamãe estava fazendo tricô ela podia, sendo que ele, o pobre Pimpão, certa vez apanhou só porque pegou o tricô da Mamãe e arrastou pelo quintal.
Ele vivia desejando que a Mimi fosse roubada ou que morresse, tanta era o ciúme que tinha dela.
Até que um dia, quando a Mamãe estava na sala com uma visita, a Mimi saiu ao jardim, pulou a cerca viva e saiu a rua.
Pimpão, esquecendo o seu ódio por ela, ficou aflito e sem saber o que fazer foi até a sala tentar avisar a Mamãe, mas esta, quando o viu enxotou-o, desculpando-se com a visita. dizendo que ele era muito indisciplinado.
Enquanto isso a Mimi andava pela calçada, livre e solta enquanto o Pimpão latia furiosamente procurando chamar a atenção de alguém para pegá-la antes que alguma coisa má lhe acontecesse..
E foi então que um menino que passava pegou-a e foi andando com ela no colo, pronto a levá-la para sua casa.
Desesperado Pimpão fez algo que nunca pensou que fosse capaz. Escalou a cerca, desceu na rua, correu até o menino e deu-lhe um bote ameaçando mordê-lo. Assustado o menino largou a gata que voltou correndo para casa seguida do cachorro.
Quando chegaram a Mamãe estava abrindo o portão para a visita que se despedia e exclamou:
- Que é que vocês dois estão fazendo na rua? Só pode ser mais uma das artes do Pimpão!
E Pimpão levou mais uma surra de jornal enquanto a Mimi era carregada e acariciada.
Mas Pimpão nem ligou para a injustiça, pois as boas ações, mesmo quando não são reconhecidas, nos fazem muito felizes.
E Pimpão descobriu ainda que, apesar dos pesares, ele amava muito a Mimi.
Bisa Maith
8:39 PM
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2006-08-02
XIV = AMAURI E O COELHO
Alguns garotos foram fazer um acampamento a beira de um rio.
Divertiram-se muito acendendo a fogueira, assando milho verde e batata doce e arrebentando pipocas.
Fizeram até uma macarronada com o molho feito por uma das mães.
Levaram um montão de coisas e esqueceram de outra porção. Riram muito quando tiveram que improvisar tudo o que tinham esquecido.
Jogaram bola, nadaram no rio, brincaram o dia todo e a noite, exaustos, foram dormir nos colchonetes embaixo das barracas.
Mas o Amauri não conseguia pegar no sono. Tinha areia no seu colçhão e o travesseiro era muito duro.
Que saudade da sua cama sempre limpa e bem arrumada com seu travesseiro macio!
O banho de rio é divertido, mas não substitui o chuveiro quente, o sabonete e a toalha limpa
Além disso, estava com fome e não queria comer milho nem batata. Queria um copo de chocolate quente que costumava tomar todas as noites.
Mas fazer o quê? Os amigos caçoariam dele se reclamasse dessas coisas. Afinal ele quis fazer o acampamento e acampamento é isso ai.
Sem conseguir se acomodar, enquanto todos já dormiam ele levantou-se e foi dar uma volta.
A noite estava linda, enluarada, com o céu pontilhado de estrelas. Lá embaixo o rio escuro, um tanto ameaçador e mais além a floresta, os morros ao longe.
Como é bela a natureza!
Sentou-se sobre uma pedra e deixou o pensamento solto. Havia tanta coisa que ele não sabia. Que é que haveria além do que a vista alcançava? Como seria uma estrela vista de perto?
De repente ouviu um barulho nas folhas.
Antes que pudesse pensar qualquer coisa um coelhinho silvestre apareceu na sua frente.
- Que belezinha! Vou levar você pra casa!
- Não faça isso, respondeu o coelho para surpresa de Amauri.
- Um coelho falante! Agora é que eu vou levar mesmo você para morar comigo na cidade.
- Não faça isso, repetiu o coelho, eu ia sofrer muito. Podia até morrer de tristeza.
- Que nada! Eu farei um viveiro confortável para você onde terá sol e sombra, não deixarei faltar água fresca e comprarei todas as manhãs cenouras para você comer.Os coelhos gostam de cenouras, não é verdade?
- Prefiro continuar aqui. Dormir na toca que eu mesmo escolhi para mim e comer o que encontrar por ai.
- Mas existem animais ferozes e caçadores desalmados que podem matá-lo. Na minha casa você estaria em segurança.
- Eu nasci para viver no campo e se for morto, paciência! Todos temos que morrer um dia.
Eu acharia falta do meu canto da mesma forma que você, se fosse morar na minha toca,. acharia do seu. Cada um de nós tem suas preferências e suas necessidades.
O coelhinho afastou-se e Amauri não fez nada para detê-lo.
De repente sentiu muito sono, voltou para a barraca, deitou-se sem se importar com a areia nem com o desconforto do travesseiro e dormiu até de manhã.
Todos levantaram muito cedo prontos para novas aventuras. Ninguém tem vontade de ficar até tarde enfiado em um saco de dormir.
Um dos meninos perguntou:
- O que vamos comer hoje? Qual vai ser o cardápio do nosso segundo dia de acampamento?
- Podia bem aparecer um coelhinho silvestre para a gente matar e assar na fogueira, exclamou outro.
- Não, gritou Amauri. isto não!
Os outro riram:
- Por que não?
- Porque ... porque eu não gosto de carne de coelho
Teve vontade de contar o que lhe acontecera a noite, mas não teve coragem pois sabia que eles não iam acreditar. Iam pensar que ele estava mentindo ou que tinha sonhado.
Aliás, já então, ele não tinha muita certeza de não ter sonhado mesmo ...
Bisa Maith
2:20 PM
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2006-07-01
XIII = O PATINHO PERDIDO
A pata saiu do ninho com seus filhotes recém-nascidos. Estava feliz como toda a mãe que acaba de ter um filho.
Saiu pelo terreiro com sua prole mostrando-lhes a beleza do mundo onde iam viver, o grande quintal, as árvores, a relva verdinha. Levou-os depois ao lago para ensinar-lhes a nadar.
Os pimpolhos adoraram a água e nem foi preciso a mãe ensinar, num instante já estavam todos nadando.
De repente a pata levou um susto. Contando os patinhos a sua volta, constatou que faltava um. Eram doze a ali só estavam onze.
Onde estaria o outro? Será que afogou-se?
Impossível! Os patos já nascem sabendo nadar. Nunca se ouviu contar de um pato que se afogasse num lago tranqüilo como aquele.
Desesperada a pata chamou os patinhos e saiu correndo para procurar o filhinho perdido.
Encontrando o pato disse-lhe:
- Querido, sumiu um de nossos bebês! Vamos procurá-lo juntos.
Mas o pato, displicente, respondeu:
- Ora, deixe disso. Com certeza o gato o pegou. Não adianta nada continuar procurando.
- Você é um pato sem coração! Onde já se viu falar assim do seu filho?
- Nos ainda temos onze, meu amor, prá que precisamos de mais um?
Vendo que nada adiantava ficar ali discutindo com o pato a pata continuou seu caminho.
Encontrou, pouco depois, o galo:
- Bom dia, seu galo! Eu perdi o meu patinho! Será que você podia me ajudar a procurá-lo?
- Eu? Imagine! Está pensando que não tenho nada mais importante para fazer do que caçar patos perdidos?
Mais adiante, o peru respondeu ao seu cumprimento com um glu-glu de pouco caso e um orgulhoso arrepiar de penas.
Nem adiantava pedir ajuda a ele. A pata estava só com a sua dor e ainda preocupada com os outros patinhos, tão novinhos, que ela estava obrigando a uma exaustiva correria.
E, então, encontrou a galinha choca que acaba de sair de seu ninho com os pintainhos;
Vendo a pata, amável, lhe disse;
- Vejo que também está com os filhinhos novos, eles são lindos.
A pata contou-lhe rapidamente a sua odisséia e ela, solícita, ofereceu-se:
- Deixe os patinhos comigo enquanto vai continuar a sua busca. Tomara que você encontre logo o seu filhinho!
A pata, agora desembaraçada correu por todo lado, examinou todos os cantos até que ouviu um piadinho muito fraco vindo de uma moita.
Achara o patinho! Ele se enroscara em um ramo e não conseguira sair sozinho.]
Vendo que ele estava bem a mãe respirou aliviada, foi buscar os outros filhotes e, todos juntos, foram ao ninho para o merecido descanso noturno.
No dia seguinte a Dona comentou com o marido:
- Aconteceu uma coisa estranha ontem. Quando fui tratar dos animais a galinha choca veio comer e os patinhos estavam junto com os pintinhos. Ela alimentou-os do mesmo modo que fez com os seus. Não sei para onde tinha ido a pata, mas hoje de manhã ela já estava com os patinhos e a galinha com os pintinhos.
O dono deu uma risada:
- Você e suas histórias! Esta galinha deve ser muito idiota para não saber distinguir um pinto de um pato! E a pata então, uma irresponsável que larga os patinhos por ai e vai passear.
- Não fale assim! Achei tão bonito! A galinha parecia uma mãe adotiva. Não sabemos o porquê do sumiço da pata. Tenho certeza de que ela não abandonou os patinhos. Eu, ás vezes penso que os animais não são tão irracionais como pensamos.
-Você é mesmo uma romântica!
LIÇÕES
A PATA = Uma mãe é capaz de qualquer sacrifício para salvar um filho.
O PATO: Um pai omisso como muitos.
O GALO: Indiferente e preguiçoso
O PERU: Vaidoso, cheio de empáfia, mas inútil.
A GALINHA: Prestativa e boa. Uma mãe que entende a aflição de outra e procura ajudar.
O DONO: Olhe lá os julgamentos ....!
A DONA: O romantismo é a realidade em traje de festa!
Bisa Maith
10:03 AM
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2006-04-25

XII = O MACAQUINHO FUJÃO
Pirulito nasceu na selva em meio a muitos animais, inclusive vários macacos, mas, então, ele não se chamava Pirulito. Não tinha nome. Pra que nome? A mãe conhecia todos seus filhotes e comunicava-se muito bem com eles sem necessidade de nomeá-los.
Mas o nosso macaquinho era diferente de seus irmãos. Enquanto os outros viviam alegremente na mata, subindo em árvores e comento frutos silvestres sem sequer supor que podiam fazer outra coisa na vida, ele queria ir para a cidade, ser o animal de estimação de alguém,
A mãe procurou dissuadi-lo de seus propósitos explicando que os animais de estimação são maltratados, embora seus donos às vezes pensem que estão sendo muito bondosos com eles, que o melhor lugar para o animal silvestre é a mata.
Diante de sua obstinação, proibiu-o terminantemente de sequer falar nisso.
E ele, desobediente, sempre se afastava do bando, ia para a beira das estradas por onde passava muita gente na esperança de que alguém o levasse para a cidade.
Até que um dia, quando andava pelo acostamento de uma estrada, vendo os carros que passavam correndo e imaginando como deviam ser felizes aquelas pessoas que moravam na cidade, de repente, sentiu que um laço lhe prendia as pernas e alguém o levantava pouco se importando com seus gritos de dor. Foi jogado dentro de uma caixa que foi fechado deixando entrar apenas o ar necessário para ele não morrer. A caixa foi enfiada no porta-malas de um carro que saiu em alta velocidade levando o pobrezinho para sua aventura que já então percebia que seria triste e sofrida.
E ele foi vendido para um circo onde um domador incumbiu-se de ensiná-lo a apresentar-se no picadeiro.
O domador o tratava com crueldade. Deixava-o passar fome e só lhe dava comida quando ele obedecia suas ordens. Mas nem sempre ele conseguia satisfazer o carrasco que queria obrigá-lo a transformar-se em um artista.
Ele aprendeu tudo que lhe ensinaram, cumprimentar a platéia, andar de bicicleta, pular corda, dançar com outro macaquinho vestido de mulher (Se ao menos fosse uma macaquinha...).
Deram-lhe o nome de pirulito e a criançada gritava por ele cada vez que se apresentava. Ficou muito conhecido. Não havia quem não tivesse, pelo menos, ouvido falar do macaquinho pirulito. Conheceu dias de glória e de fama, mas não estava feliz.
Cansou-se de tanto repetir os mesmos números nas diferentes cidades onde o circo se apresentava e agora tudo que queria era voltar para a floresta, mas não sabia como fazer para fugir do circo.
Até que um dia, quando viajavam de uma cidade para outra, o carro onde ele estava teve um desarranjo e precisou parar no acostamento.
Sem que ninguém o visse, ele desceu e correndo e embrenhou-se pelo mato.
Sem dar pela sua falta, prosseguiram a viagem pouco depois e ele se viu de novo na mata onde nascera, mas, já então tudo lhe parecia diferente e aterrador.
Desacostumara-se da vida silvestre, não sabia subir nas arvores e seus dentes, acostumados com a ração que lhe era dada no circo, não conseguia quebrar a casca dos coquinhos e começou a passar fome e arrepender-se de ter fugido.
Mas não sabia como voltar ao circo. Não sabia onde o circo se encontrava e, mesmo que soubesse, não conseguiria chegar lá.
Ia freqüentemente para o acostamento das estradas na esperança de que o circo passasse de novo por ali, mas era uma probabilidade muito remota e ele foi, cada vez mais, desanimando e convencendo-se de que acabaria seus dias na mata.
Mas um dia um carro parou bem pertinho dele. Várias crianças desceram para comer o seu lanche e ele aproximou-se.
- Olhe um macaquinho! gritou um.
- Vamos pegá-lo! exclamou o outro.
- O terceiro aproximou-se a medo e ofereceu-lhe uma banana.
Pirulito não comia uma banana há muito tempo. Aliás estava com uma fome danada.
- Olhe como ele é mansinho!
- Vamos levá-lo, Papai?
O pai concordou e o Pirulito foi colocado no banco de trás junto com as crianças, sob alguns protestos da mãe:
- Cuidado com ele! Ele pode morder!
- Se ele morder a gente solta de novo na estrada.
Imagine se ele ia morder!
As crianças estavam entusiasmadas.
- Vamos chamá-lo de Pirulito e ensinar para ele tudo o que o Pirulito do circo fazia.
Pirulito só não riu porque macacos não riem, mas ficou muito satisfeito.
-Imaginem só quando aquelas crianças descobrirem quanta coisa eu sei fazer! Vão fazer o maior sucesso com os amiguinhos!
E assim todos acabaram felizes para sempre.
Bisa Maith
6:01 PM
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2006-04-14
]
XI = O GATO PRETO
Clementina era uma gata angorá,lindíssima, muito bem cuidada e estimada por sua dona, Silvana.
Quando nasceram os gatinhos, Silvana ficou encantada. Eram lindos, branquinhos como a mãe, só um deles era muito feio, todo preto.
Como Silvana não podia ficar com todos os gatinhos, doou-os a amigas que ela sabia que cuidariam muito bem deles. Só ficou o negrinho que ninguém quis levar.
O marido de Silvana implicou com o gatinho preto e queria que ela desse um fim nele, mas Silvana tinha pena e estava disposta a ficar com ele.
- Você não sabe que gato preto dá azar?
- Não sei. Acho que isso é ignorância e preconceito.
Mas Zaqueu, o marido, começou a atribuir tudo que lhe acontecia de mau ao inocente gatinho que tinha em casa.
Batiam em seu carro, culpa do gato! Caia na escada, culpa do gato! Perdia a carteira, culpa do gato! Seu time perdia o jogo, culpa do gato!
Todos os dias Silvana e Zaqueu brigavam por causa do gato e um dia a Clementina ouviu ele dizer que ia matar o pretinho.
Apavorada, resolveu fugir com ele.
Saíram os dois, na calada da noite enquanto Silvana e Zaqueu dormiam e foram andando sem destino pela rua.
E agora? Pra onde ir?
Sentiram fome e foram obrigados a a arrebentar um saco de lixo para se alimentarem. Clementina sabia que não seria difícil aparecer alguém para adotá-la, mas e o negrinho? Ela não ficaria onde ele não fosse aceito.
De manhãzinha uma menina que ia a padaria com a mãe a viu e gritou:
- Mãe olhe que gata bonita! Posso levar pra mim?
- Pode, só que se o dono aparecer você tem que entregar,
- Tudo bem!. O dono não vai aparecer.
O irmãozinho que os acompanhava choramingou:
- Eu também quero um gato
- Leve o pretinho pra você, sugere a irmã.
- Dois gatos, crianças! É muita coisa. Levem só a gata que é mais bonita.
Mas o garotinho já estava com o gatinho no colo e a mãe acabou deixando que levasse.
Clementina e seu filho começaram a viver na casa de seus novos donos.
Não eram maus. Ninguém os maltratava, mas não eram carinhosos com eles como a Silvana e Clementina tinha muita saudade de sua antiga dona.
Mãe e filho viviam no quintal, eram proibidos de entrar na casa e as crianças logo enjoaram deles, mas, pelo menos estavam juntos.
Passaram-se alguns meses e um dia a família recebeu a visita do Dr. Gui, um veterinário que quando viu gato preto ficou encantado com ele.
Pegou-o e examinou-o.
Realmente, ele estava muito bonito, tinha todas as características da raça e o pelo preto, agora era farto e macio.
- Um angorá inteiro preto é muito raro e vale um bom dinheiro. Não quer vendê-lo?
- Bem, eu nunca pensei nisso, mas, por que não?
Combinaram que o gato seria posto a venda em uma loja de animais.
Clementina ficou desesperada. Ia separar-se de novo do filho!
O amigo até aventou a hipótese de vendê-la também, pois, afinal ela era de raça pura, mas o veterinário disse que não seria possível, porque ela já era muito velha.
O gato ficou exposto em uma loja não muito distante dali e Clementina todo dia passava por lá para vê-lo.
Um dia Zaqueu passou por lá e viu o gato. Chamou-lhe a atenção a beleza do mesmo e teve uma idéia. Ia comprá-lo e levá-lo de presente para Silvana.
Desde que os gatos sumiram de casa Silvana estava zangada com ele. Achava que ele tinha dado fim nos dois por causa das brigas e daquela bobagem de achar que o gato estava dando azar.
Agora ele levava aquele gato preto, tão bonito para mostrar a ela que não tinha mais qualquer prevenção com gatos pretos. que tudo que queria era vê-la feliz.
E foi o que fez.
Clementina que estava por perto viu tudo, mas Zaqueu não a viu.
Silvana mal podia acreditar no que estava vendo. Zaqueu comprara um gato para ela! Um gato preto! Isto era uma mensagem de paz! Um pedido de desculpas que ela não tinha como não aceitar!
Mas não parou ai a alegria de Silvana. Quando saiu no jardim com o gato no colo,viu uma gata branca junto ao portão.
Clementina viera atrás do filho. Retornara ao seu antigo lar que era onde ela sempre quis estar.
Bisa Maith
4:58 PM
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2006-03-26
X = UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO
A professora mandou os alunos fazerem uma redação sobre o seu animal de estimação.
Carlos escreveu sobre o cachorro que é mais velho do que ele e que é muito querido.
Silvia contou a história do gatinho abandonado que ela levou para casa.
Saulo discorreu sobre o cavalo que ganhou de seu avô.
Assim, cada uma das crianças fez a sua redação e a professora mandou que uma a uma, fossem lá na frente e lessem o seu relato para os colegas.
Quando chegou a vez da Marilda ela começou:
- Meu animal de estimação é um sapo.
- Um sapo?! exclamaram todas as crianças ao mesmo tempo.
- Silêncio! pediu a professora. Deixem a Marilda continuar.
Uma noite, ouvimos, de repente. Um grito na cozinha:
- Uaauuuuuuuu!
Meus pais correram para lá pensando que seria no mínimo uma cobra que assustara a empregada, talvez até uma onça!
Quando viu o sapo minha mãe agarrou-se no meu pai e gritou:
- Uuuiiiiiiiiiii!
Meu pai que é muito corajoso, pegou a vassoura, varreu o bicho pra fora e fechou a porta.
Todos foram dormir, mas eu fiquei com pena do coitadinho, lá fora naquele frio, levantei devagarzinho e fui pé ante pé, peguei o sapo e levei para o meu quarto.
- Vou cuidar direitinho de você, disse a ele.
Para minha surpresa ele respondeu:
- Você é uma boa menina e eu também vou ser muito bonzinho. Não vou incomodar ninguém.
E o sapo ficou morando no meu quarto,
De manhã eu o coloco dentro da gaveta para ninguém vê-lo e de tardezinha quando todos já estão se preparando para recolher-se eu o tiro de lá e a gente fica conversando.
Logo ficamos íntimos. Eu contei a ele todos os meus segredos e ele contou-me a sua história.
Ele não foi sempre um sapo.
Era um moço muito bom e muito bonito chamado Arlindo.
Aconteceu, porém, que ele apaixonou-se pela filha do rei e este não queria o casamento porque ele não era príncipe e era pobre.
Por isso mandou prendê-lo.
Mas a princesa gostava muito dele e ia, escondido do pai, vê-lo na prisão.
Quando o pai soube disso mandou chamar uma bruxa que o transformou em um sapo.
A princesa ficou muito triste, mas prometeu que quando o efeito da magia acabasse ela o ela iria busca-lo onde ele estivesse, eles se casariam e iriam para muito longe onde o pai dela não pudesse encontrá-los.
Quando Marilda acabou de ler, os colegas exclamaram:
- Você está mentindo!
- Não, disse a professora, ela está não está mentindo. Está contando uma história. As histórias não precisam ser verdadeiras
- Mas o que contei é verdade mesmo, protestou a Marilda.
- Bem, se você quer que as pessoas acreditem em uma coisa que não é verdade, isto é mentir e mentir é muito ruim.
- Não é mentira, teimou a Marilda.
A sineta tocou. A professora encerrou a aula e não voltou mais ao assunto.
Mas os colegas não esqueceram e estavam sempre amolando a garota, perguntando pelo Sap-Arlindo.
- Vocês não acreditam? Pois vamos lá em casa que eu mostro o sapo encantado pra vocês.
E um dia um grupo de meninas resolveu ir a sua casa para desmascará-la.
Marilda estava segura de si. Levou as colegas ao seu quarto, fechou a porta e abriu a gaveta.
O sapo não estava lá, mas ela não perdeu o requebrado:
- Ele foi embora! Acho que a magia acabou e a princesa veio buscá-lo.
Correu à janela, abriu a cortina e apontou para as colegas boquiabertas:
- Olhem! Lá vai ele com a princesa.
As meninas olharam na direção apontada por Marilda e todas "viram" um casal de jovens cavalgando um cavalo alado desaparecendo entre as nuvens.
Bisa Maith
8:56 PM
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2006-03-18
IX =O MONSTRO HUMANO
A lontrazinha pediu à mãe que lhe contasse uma história.
- Que história você quer?
- Uma história do Monstro Humano.
- Do Monstro Humano? Você vai ficar com medo!
- Não, Mamãe, já sou bem crescida.
E a lontra começou
- Era uma vez um monstro humano muito cruel.
Ele tinha uma criação de coelhos. Tratava-os muitos bem, comida farta e boa, água fresca e viveiro aquecido.
Os coelhinhos acreditavam que ele os amava e confiavam inteiramente nele.
Mas um dia, ele armou-se de uma faca, matou os pobrezinhos, assou -os e comeu a sua carne.
A lontrazinha arregalou os olhos:
- Credo, Mamãe! Dá até arrepios
- Com a pele dos coitadinhos ele fez bolsas e vendeu dizendo que eram de lontra.
- De lontra?! Lontras como nós!
- Isso mesmo.
- Depois, ele resolveu caçar lontras para, com seu couro fazer tapetes e agasalhos que têm muito valor.
E veio para o litoral onde vivemos a nossa procura.
Mas, antes que nos encontrasse um lobo o encontrou. Correu atrás dele mas, antes que o lobo o alcançasse o monstro subiu em uma árvore.
O lobo ficou em baixo da árvore esperando que ele descesse para atacá-lo. Estava disposto a esperá-lo quanto tempo fosse preciso, mas não desistiria de sua presa.
O monstro por sua vez não queria descer enquanto o lobo estivesse por perto e o tempo foi passando. Começou a ficar com fome e quando a noite caiu sentiu muito frio.
E o lobo ali, firme no seu posto esperando o seu banquete.
Mas o lobo, também, foi ficando cansado e com sono e acabou dormindo.
O monstro, então, desceu da árvore e fugiu correndo.
Conseguiu enganar o lobo, mas não se arriscaria mais. Desistiu de vez do seu artesanato feito com couro de lontras.
- Que história triste, Mamãe!
- É sim. Muito triste. Mas, agora, vá dormir.
A lontrazinha não conseguia conciliar o sono. As cenas da história que acabara de ouvir não lhe saiam da cabeça e ele começou a ficar com medo. Qualquer barulhinho sobressaltava-a imaginando que era o Monstro Humano que estava chegando.
Não suportando mais a aflição chamou o irmão.
Este abriu um olho sonolento e perguntou:
- Que foi?
- Estou com medo.
- Medo de que?
- Medo do Monstro Humano.
- Ora, deixe de ser boba. Monstros Humanos não existem. São só de mentirinha, respondeu e continuou a dormir.
Mas a lontrazinha continuou preocupada:
- Será?
Bisa Maith
10:35 PM
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2006-03-11
 VIII = A BORBOLETA FEIA
Sobre um lindo jardim florido sobrevoavam borboletas multicoloridas de rara beleza.
Mas, entre elas havia uma que destoava das outras pela sua simplicidade. Era feinha, pequena e suas asas tinham a cor das folhas secas.
A beira do passeio cresciam singelas violetas silvestres, pequenas, descoloridas, escondidas entre a folhagem.
A borboleta feia chegou-se às violetas e disse:
- Vocês não acham que Deus é injusto? Tal como faz com os humanos, dá a alguns a beleza, a exuberância, a glória e para outros a mediocridade, o anonimato.
Uma das violetas tomou a palavra e respondeu:
- Deus é muito sábio. Tão sábio que nós não podemos compreender todos os seus desígnios, mas ele é infinitamente justo. Cada um de nós tem o seu lugar e a sua tarefa neste mundo.
- Você acha certo que as outras flores enfeitem os salões e sejam caprichosamente arrumadas em buquês e corbelies, enquanto vocês ficam ai ignoradas e inúteis, muitas vezes até pisadas pelos transeuntes.
- Nós estamos aprendendo uma lição.
- E que lição é essa?
- A lição da humildade.
- Hummm!!! resmungou a borboleta afastando-se.
No dia seguinte houve um casamento e todas as flores foram colhidas para fazer o buquê da noiva, enfeitar a igreja e o salão de festas.
Todas, menos as violetas, é claro.
Mais uma vez a borboleta feia veio questionar:
- Vocês não têm inveja dessas flores que estão sendo vistas e admiradas por todos enquanto vocês estão ai escondidas, ignoradas.
- Não, porque neste mundo cada qual tem a sua missão. A das flores bonitas, é fazer parte das decorações e a nossa é ficar aqui, dando o que temos para alegrar a vista de quem passa por nós.
- Acho que ninguém as vê assim como ninguém me nota só porque não nasci com lindas asas coloridas.
- Um dia um menino pobre queria dar um presente a professora e não tinha dinheiro para comprar nada, então ele colheu um buquê dentre nós e levou a ela.
- A professora deve ter jogado direto no lixo.
- Nada disso. Ela ficou muito contente com o presente e colocou em um vasinho com água sobre a sua mesa.
- Hummmm!!!
Nisso viram um alvoroço entre as borboletas. Um menino estava caçando-as para fazer um quadro com elas. As borboletas tentaram fugir. Umas voaram, outras pousaram, mas poucas escaparam da rede do garoto.
A borboleta feia pousou entre umas folhas secas, da cor de suas asas e não foi vista por ele.
As flores bonitas, no dia seguinte estavam no lixo e as belas borboletas, continuavam belas, porem atravessadas por um alfinete, espetadas em um quadro. Mortas!
As violetas continuaram enfeitando singelamente a beira da calçada enquanto a borboleta feia voava. Feia sim! Mas viva!.
Bisa Maith
5:56 PM
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2006-03-02
VII = O SONHO DO MARCELINO
Marcelino e os amigos costumavam passar as tarde de domingo nadando em um rio que passava próximo da cidade.
O rio era piscoso e à sua margem sempre havia muitas pessoas pescando, mas, Marcelino não gostava de pescar. Tinha pena dos peixes. Que coisa horrível devia ser engolir um anzol! Preferia vê-los dentro da água, chegando até a tona para comer as migalhas que eles jogavam no rio.
A mãe de Marcelino sempre preparava um gostoso lanche para ele levar e, além dos conselhos costumeiros de toda mãe:
- Cuidado! Não se afaste muito da margem! Volte antes de anoitecer, etc. ainda recomendava sempre:
- Não jogue no rio nada que os peixes não comem. Esse lixo vai poluindo a água e um dia você não poderá mais nadar na água suja, não teremos mais peixes e pode ser até que nos falte água na torneira.
Marcelino pegava a sacolinha plástica que a mãe entregava para colocar o lixo que depois levaria até uma lixeira, mas os companheiros caçoavam:
- Essas mães tem cada uma! Imagine se umas latinhas vão poluir um rio deste tamanho!
E lá se iam para o rio latinhas, garrafas, embalagens plásticas e até a sacolinha que a mãe lhe dera.
Como se isso não bastasse, ainda catavam tudo que os outros deixavam jogado a beira do rio e atiravam na água, apostando quem seria capaz de atirar mais longe.
Mas, uma noite Marcelino teve um sonho muito estranho.
Sonhou que estava nadando no rio e de repente sentiu uma coisa esquisita. Notou que respirava bem embaixo da água e não conseguia respirar com a cabeça para fora.
Ficou aturdido e por fim constatou assustado que havia se transformado em um peixe.
A sua volta centenas de peixes nadavam, peixes de toda espécie e de todo tamanho, desde os lambaris de cinco centímetros até os pintados de mais de dez quilos.
E Marcelino era um deles. Também nadava nas águas mais profundas do rio e podia conversar com os outros peixes.
E foi então que um deles lhe disse:
- Nós estamos nos mudando daqui.
- Mudando? Pra onde? Por que?
- Estamos indo lá pra cima, junto a nascente do rio, no meio da mata, porque a água aqui está muito poluída e em breve não conseguiríamos mais respirar e morreríamos.
- Mas, por que o rio ficou assim poluído?
- Por causa do lixo que jogam nele, milhares de pessoas displicentemente vão atirando na água tudo o que não presta até que um dia a água está tão suja que não dá mais para os peixes viverem nela,
Marcelino ficou apavorado! Só então percebeu que, realmente, a água estava turva e malcheirosa..
Que fazer? Ele não queria ir com outros peixes para o meio do mato, mas também não queria morrer sozinho, asfixiado naquela água imunda.
Tentou chamar pelos peixes que se afastavam, mas eles não mais o ouviram.
Aflito e assustado, despertou.
Que sonho horrível!
A partir desse dia Marcelino nunca mais jogou lixo no rio. Levava sempre a sacolinha para guardá-lo como a mãe sempre lhe dizia e aconselhava os colegas a fazerem o mesmo.
Os meninos não o ouviam e até caçoavam dele, mas ele estava fazendo a sua parte. Se todos fizessem como ele teríamos um rio limpo, onde os peixes viveriam contentes e as crianças podiam divertir=se nadando nas tardes de domingo
Bisa Maith
9:13 AM
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2006-02-16
VI = A UNIÃO FAZ A FORÇAO macaco estava com muita fome, mas só do outro lado do rio havia alimento e a ponte tinha caído.
Ficou, sorumbático e desenxabido, sentado em uma pedra observando a sua volta apenas pedras e vegetação imprópria para sua alimentação, esperando que aparecesse alguém para consertar a ponte.
Pouco depois chegou um javali e olhando desanimado para o rio disse:
- Que maçada!
- Eu estou esperando que consertem a ponte, respondeu o macaco. Não saio daqui antes disso.
- Então, eu vou esperar também.
E acomodou-se.
O veado apareceu logo em seguida:
- Será que vão consertar logo essa ponte?
- Não sei. Os homens são tão preguiçosos!
Depois chegou o coelho e também se aborreceu com o contratempo e juntou-se aos outros para esperar.
Todos estavam famintos e ansiosos para atravessar o rio e deliciar-se com a fartura do lado de lá.
Foi então que uma formiga que os observava falou:
- Olhe aquele tronco caído ali. Se vocês o arrastarem para o rio terão uma canoa improvisada que poderá levá-los ao lado de lá.
- Boa idéia! Exclamou o coelho, mas eu não tenho força suficiente para empurrá-lo.
- Nem eu, disse o javali.
- Nem eu, disse o macaco.
- Nem eu, disse o veado.
- Espera aí, disse a formiga. Nenhum de vocês pode mover um tronco tão pesado,sozinho, mas se se unirem poderão fazê-lo
- Isso mesmo disse o coelho, só que eu como sou o menorzinho não posso ajudar.
- Eu também não posso porque estou muito cansado, disse o porco.
- Nem eu, porque estou com muita fome, disse o veado.
- E eu estou com dor nas costas, não posso fazer força, concluiu o macaco.
- É uma pena, tornou a formiga. Vocês poderiam fazer uma forcinha, depois se fartariam, mas, como não querem, vão ficar ai morrendo de fome até alguém consertar a ponte, sabe-se lá, quando!.
Diante da evidência os bichos resolveram unir-se. Empurraram o tronco para a água e subiram nele, munidos de varas compridas para impulsionar o barco improvisado
- Ei! Espere aí, gritou a formiga, que eu também vou.
- Não vai não, exclamou o macaco. Você não ajudou a empurrar o tronco, não tem direito.
- Como não? Não fui eu que dei a idéia? Nenhum de vocês tinha pensado numa solução tão simples.
Os bichos então compreenderam que cada um ajuda como pode. Uns trabalham com os braços, outros com a mente, e precisam unir-se porque "A UNIÃO FAZ A FORÇA"
Bisa Maith
3:57 PM
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2006-02-12
V = UM LUGAR AO SOL
Em um maravilhoso jardim magníficas rosas, lírios e crisântemos exibiam sua beleza, espargiam seu perfume e orgulhavam-se de sua nobreza.
Um dia, porém, nasceu entre elas uma plantinha silvestre que, por um lapso, o jardineiro deixou crescer.
Quando foi arrancá-la viu que ela estava carregada de botões e resolveu esperar uns dias para ver como seriam as suas flores.
Ficou maravilhado quando se abriram! Eram lindas! Mais bonitas do qualquer daquelas que ele plantara com tanto cuidado e ele resolveu cultivá-las junto às outras.
Estas, porém, enciumadas quiseram destruí-la, mas, fixadas ao solo, as plantas não podem atacar ninguém. Tiveram que pedir ajuda.
A rosa pediu ao beija-flor:
- Quando pousar sobre ela dê um jeito de desfolhá-la.
- Não vou fazer isso, respondeu o beija-flor. Ela é tão linda! Seu néctar é tão farto e tão doce!
O lírio chamou uma formiga que passava e pediu:
- Vá lá e pele-a! Sem uma só folha ela por certo morrerá.
Mas a formiga também se negou:
- Eu só corto as plantas para me alimentar. Nunca faço isso por maldade.
Foi à vez do crisântemo pedir à minhoca:
- Você que vive embaixo da terra podia bem chegar até ela e destruir-lhe a raiz.
- Que pensa que sou? Uma destruidora de flores? Não vou fazer isso!
Sem ajuda dos animais, as plantas nada puderam fazer contra aquela que consideravam sua rival e perigosa inimiga.
Enquanto isso, o jardineiro, encantado com a descoberta da nova flor, passou a cuidar dela um com carinho todo especial e proteger as mudinhas que nasciam ao seu redor, de sorte que, em breve, ele tinha um lindo canteiro de Juremas, nome de sua namorada, com que ele batizou a flor desconhecida.
E a rosa estava cada vez mais despeitada:
- Quando a Jurema souber que o namorado deu o seu nome a uma flor do mato, tendo tantas flores nobres a sua disposição, por certo vai ficar ofendidíssima. É capaz até de acabar o namoro! Tomara que acabe mesmo para esse jardineiro idiota aprender a não dar valor para o que não tem.
Mas, não foi isso que aconteceu.
Quando a Jurema-mulher, veio conhecer a Jurema-flor, ficou encantada com ela e, quando o namorado colheu a mais bonita e lhe ofereceu, ela ficou emocionada. Encostou-a no rosto e aspirou-lhe deliciada o seu perfume.
- Tão idiota quanto o namorado, resmungou o lírio, aborrecido.
Jurema era ao mesmo tempo uma flor delicada e forte. Nenhuma resistia tanto quanto ela, as intempéries, o vento, a chuva forte, a geada. Nativa da selva aprendera a superar os embates da natureza e estava sempre radiante e ilesa.
No inverno todas perderam muito de seu encanto, menos ela.
Quando chegou a primavera, o jardineiro levou-a para concorrer a um concurso de flores raras.
Ganhou um prêmio, foi entrevistado, Jurema foi fotografada e foi notícia de destaque em um jornal.
O jardineiro tornou-se muito conhecido e começaram a aumentar sua venda de flores. Todos queriam um buquê, uma muda ou algumas sementes da Jurema, a flor que se tornara famosa.
Com isso, também as outras flores acabaram lucrando, pois com a ocorrência de tantas visitas ao jardim, tiveram a oportunidade de exibir seus atributos.
Muitos preferiam um buquê de rosas, lírios ou crisântemos a um de Juremas e elas por fim compreenderam que ninguém é maior ou menor aos olhos de Deus e que, para todos. há sempre um lugar ao sol.
Bisa Maith
9:21 PM
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2006-02-11
IV = OS BRUTOS TAMBÉM AMAM
Era uma vez um casal de leões que viviam muito felizes na floresta.
Já tinham tido vários filhos que cresceram e foram viver a sua vida. Agora tinham um filhote recém-nascido que era o seu encanto.
O leão era lindo! Tinha o pelo farto e uma magnífica juba.
A leoa não era tão bonita quanto ele. Seu pelo era mais raso e menos sedoso, mas o leão achava que ela era a leoa mais bonita da floresta.
O leão era forte, orgulhoso, e, tido como o Rei dos Animais, julgava-se superior a todos os outros que o temiam e respeitavam.
A leoa era humilde. Amava o leão, admirava sua força e sua beleza, sentia-se protegida ao seu lado, mas achava que ele era muito rude com os animais mais fracos e dizia isso a ele que retrucava:
- Se Deus me fez mais belo e mais forte é porque queria que eu os dominasse, que eles rastejassem a meus pés.
- Ou será que você sendo o mais forte, devia proteger os outros?
- Imagine! Eu nasci para dominar e eles para serem dominados.
Um dia, porém, ele saiu dar uma volta enquanto ela ficava em casa cuidando do leãozinho e quando voltou encontrou-a presa em uma armadilha e o filhinho tinha desaparecido.
Ficou desesperado! Não sabia se soltava a leoa ou se corria a procura do leãozinho, mas não sabia como fazer nem uma coisa nem outra.
Na certa algum caçador prendera a leoa para poder capturar o filhote, que provavelmente seria vendido para um circo ou um zoológico. Ficaria conhecido e famoso, mas o leão não queria saber disso. Queria a companheira e o filhinho a seu lado.
Usando sua prerrogativa de rei, convocou todos os bichos da redondeza e pediu ajuda.
A primeira a se manifestar foi a formiga:
- Estou pronta a ajudar
Mas o leão expulsou-a:
- Sai já daqui! Você é um inseto miserável, não presta pra nada!
Entretanto, um a um, todos os outroa animais negaram-se a socorrer o leão.
O macaco falou:
- Eu não vou fazer nada. Você sempre me desprezou. Bem feito!
A onça disse:
- Eu não vou me meter nas encrencas dos outros. Chega as minhas. Arranje-se!
A cobra também esquivou-se:
- Você não dizia sempre que eu vivia rastejando? Agora é você que estã se arrastando a nossos pés para pedir ajuda.
E assim um a um, todos os súditos do rei leão negaram-se a auxilia-lo e ele ficou muito aflito.
Foi então que a leoa chegou perto dele e fez-lhe um carinho:
- Você? Como conseguiu escapar da armadilha?
- Um ratinho me ajudou.
- Um rato? Que humilhação! Ficar devendo favor a um rato! Mas, como foi que o rato consegui soltá-la?
- Não foi bem um rato. Ele chamou seus amigos e todos juntos foram roendo a armadilha até conseguir fazer um buraco suficiente para eu sair.
- É incrível!
Todos os animais tinham ido embora, menos a formiga que, aproximando-se da leoa, ofereceu-se mais uma vez:
- Eu posso ajudar.
- Como?
- Eu sei onde está o leãozinho.
- Pois então nos leve até lá.
- Eu vi quando os caçadores se abrigaram em uma tenda, lá perto do meu formigueiro, mas eles estão armados. Se vocês se aproximarem eles os matarão. Mas, não se incomodem que eu sei o que fazer.
Foi rapidamente ao formigueiro e convocou milhares de formigas para acompanhá-la na emocionante aventura de salvar o filho do leão
Todas juntas invadiram a tenda onde os caçadores dormiam e rapidamente os cobriram de picadas.
Acordaram aturdidos e saíram correndo, sentindo ferroadas pelo corpo todo e deixando o animalzinho roubado lá dentro.
O leãozinho estava dormindo. Era muito pequeno e muito frágil para se defender e nem sabia ao certo o que estava lhe acontecendo.
Os leões que aguardavam a distância não perderam tempo, invadiram a tenda e saíram levando o filhinho.
E a família leonina foi feliz para sempre.
Moral: "Ninguém é tão poderoso que nunca precise de ajuda nem tão insignificante que não possa ajudar."
Bisa Maith
10:42 PM
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2006-02-08
III = O PÁSSARO FERIDO
Reinaldo gostava de atirar pedras em passarinhos.
Em vão a mãe o advertia e a professora aconselhava. Ele não ouvia ninguém e, com o seu estilingue, tinha um sádico prazer em alvejar os coitadinhos que passavam voando. Ficava exultante quando conseguia derrubar um deles.
Uma tarde ele viu um passarinho diferente, muito colorido, bonito mesmo e, não teve dúvida, lá se foi a pedra certeira que derrubou -o lá longe.
Reinaldo sorriu satisfeito com a sua maldade:
- Esse não vôa mais por ai! Não vai cantar nem botar ovos!
Sentia-se forte, poderoso e soberbo diante da fragilidade do passarinho e isto o satisfazia.
Mas no dia seguinte, quando chegou na escola viu que a Glorinha contava alguma coisa emocionante aos colegas que a rodeavam interessados.
Aproximou-se também e ficou estarrecido com o que ouviu.
A Glorinha dizia:
- Pois é, ele caiu no quintal de casa. Meu pai disse que não conhece esse passarinho que pode ser alguma espécie em extinção que precisa ser preservada.
- Será que ele vai morrer?
- Espero que não. A pedra atingiu-o de raspão. Machucou muito a asa. Por isso ele não pode voar. Eu o prendi e vou cuidar dele até sarar depois eu solto para ele ir embora.
- Que horror! Quem será que fez isso com ele?
- Sei lá! Só sei que é alguém muito ignorante e cruel. Um ser desprezível!
Reinaldo incorporado ao grupo ouvia em silêncio e não pode deixar de sentir-se mal.
- Eu? ignorante, cruel, desprezível?
Incomodado, pensava que se os colegas soubessem eram capazes de se reunirem e dar-lhe uma surra. Merecida! Tinha que admitir.
Nos dias seguintes, quando a Glórinha chegava os colegas a rodeavam para perguntar do piteco, que era o apelido que deram ao passarinho, e Reinaldo juntava-se a eles e ouvia interessado as últimas novidades.
Fingido, ele?
Não. Estava arrependido e tudo que queria era que o passarinho sarasse logo.
Muitos colegas foram a casa da Glórinha para ver o Piteco e alguns quiseram até tirar uma foto dele.
Quando ele sarou Glorinha levou-o ao quintal e soltou. Ele voou um pouco e caiu. Ela pegou-o, levou de novo para a gaiola e cuidou mais um pouco dele. Levaram alguns dias de treino para que enfim ele pudesse voar e sumir nos ares.
Glorinha chorou muito. Sentia saudades dele. Já se acostumara a vê-lo ali na gaiola, a cuidar dele.
Um colega aventurou-se:
- Se fosse eu não soltava. Devia deixa-lo preso, quanto mais que ele é um pássaro raro. Você podia até vendê-lo por um bom preço.
Glorinha escandalizou-se:
- Você esta louco? Ele é um pássaro silvestre, não pode ficar preso.
- Mas você cuidaria dele, não deixaria que nenhum mal lhe acontecesse, ao passo que solto ele corre perigos.
- Apesar dos perigos ele precisa de liberdade. Nunca ficaria feliz preso em uma gaiola.
Mas Glorinha estava muito triste. O piteco fazia muita falta ,mas ela consolava-se, consciente de que fizera o que era certo e imaginando como ele devia estar contente, voando de novo por ai.
No dia seguinte, de manhã, porém ela teve uma surpresa. Quando abriu a janela do quarto, o Piteco estava ali pousado na floreira.
Ela ficou muito alegre. Foi correndo buscar um pouco de alpiste para ele, que comeu e depois voou para longe.
A partir de então todas as noites Glorinha deixava comida e água fresca para ele e assim que levantava ia correndo ver se ele estava lá. Algumas vezes o via, outras chegava tarde. Ele já tinha ido. Mas não tinha dúvida de que ele vinha visitá-la.
Nós não sabemos até que ponto os passarinho têm consciência do que os rodeia, mas não há dúvida de que sentem dor, frio, fome.
E sabemos ainda que são capazes de se afeiçoar às pessoas.
Bisa Maith
3:56 PM
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2006-02-07
II =O NATAL DA BICHARADA
O porquinho estava muito preocupado, pois aproximava-se o Natal e ele estava desconfiado de que seria morto e assado para ser servido na ceia.
A sua dona o estava tratando muito bem. Todo dia tinha comida farta e água fresca. Não havia dúvida. Ela queria engordá-lo para a festa.
Ele precisava fugir mas não sabia como. A cerca do chiqueiro era alta para ele pular e já tentara abrir um buraco embaixo e não conseguira. Estava perdido!
Então ele resolveu rezar. Pediu a Deus com muita fé que o livrasse do estilete. Pediu ao Menino Jesus que era tão bonzinho, gostava tanto dos animais e não devia ficar contente de ver um pobre porquinho assado com um ovo cozido na boca para homenagea-lo, que intercedesse por ele diante do Pai e que ele conseguisse um jeito de escapulir.
Suas preces foram ouvidas e atendidas.
Na ante-véspera do Natal, justo no dia em que ele seria sacrificado, desabou sobre a região uma tremenda tempestade e a cerca do chiqueiro foi arrancada pela enxurrada.
Estava livre! Exultou o porquinho e depois de agradecer a Deus e a Jesus, saiu na disparada, debaixo da chuva, atolando os pés na lama, atravessando as poças dágua e rapidamente estava do outro lado da cidade, bem longe da casa do seu dono.
Mas, sentiu que não podia ficar por ali, pois, certamente alguém o pegaria,fiicaria contente por ter encontrado um leitãozinho perdido e não teria dúvida de fazer dele um gostoso torresminho.
Resolveu sair da cidade e embrenhou-se pela mata procurando um lugar acolhedor para fixar sua morada de porco fugitivo.
Então, ele viu uma clareira onde já se encontravam alguns animais: um boi, um peru e um cabrito.
- Boa tarde, amigos, cumprimentou educadamente o leitão. Que fazem reunidos aqui?
- Estamos fugindo. Nossos donos queriam nos matar e nós fugimos.
O porquinho contou sua história e foi convidaddo a ficar, também, ali com eles.
O cabritou contou como tinha fugido:
- Eu estava preso e ia ser matado e assado para o Natal. Estava com muito medo e minha mãe também estava preocupada mas não sabia como fugir e ela não podia me ajudar.
Mas, ontem de manhã, minha dona veio dar-me comida e o Bebê veio atrás dela. Ela deixou-o por um momento brincando no quintal enquanto punha o milho e a água pra mim, e, então minha mãe que estava por ali teve uma idéia. Avançou no Bebê que assustado caiu sentado, chorando apesar dela não ter tocado nele.
- Quando a mãe ouviu seus gritos correu alarmada e esqueceu o portãozinho aberto. Foi a minha chance. Saí correndo e ela não conseguiu alcançar-me. Depois de muito andar acabei chegando aqui e encontrando estes amigos com quem estou vivendo agora.
O peru tomou a palavra:
- Eu estava preso no galinheiro esperando a minha hora. Para aumentar a minha tortura, meus donos conversavam perto de mim, planejando a minha execução com a maior frieza possível. Discutiam quando e quem me mataria. Falavam de receitas de farofa e de pessoas peritas em preparar perus assados. Eu não tinha esperança de safar-me. A cerca era alta e eu não sou uma ave voadora, mas, pensei cá comigo:
- Tenho asas fortes. Quem sabe se exercitar bastante consigo voar o suficiente para passar a cerca? E foi o que fiz. Todo dia, muito cedo, antes que o pessoal da casa levantasse eu treinava meus vôos. Cada dia conseguia voar mais alto, até que um dia consegui escalar a cerca e fugir, um pouco correndo, um pouco voando, até aqui.
- Falta você, falou o leitão para o boi. Como foi que chegou aqui?
- Para mim foi fácil. A cerca do pasto não é muito sólida, não é preciso, pois o gado é, em geral, muito pacífico e não tenta fugir.
Eu nunca tinha pensado em sair de lá, mas quando ouvi meu patrão dizer que ia fazer uma churrascada no Natal e que eu é que estava "no ponto", não perdi tempo. Aquela noite mesmo derrubei a cerca e aqui estou.
Como sou, aqui, o maior e o mais forte, vou proteger vocês de todos os perigos. Podem confiar em mim.
E já que estamos todos aqui, vamos fazer a nossa festa de Natal. Vamos convidar os bichos silvestres também e todos juntos homenagear o Menino Jesus e agradecer por termos conseguido fugir da "celebração"de nossos donos.
E Jesus por certo ficou muito contente com a festa dos animais, sem luxo, exagero, nem ostentação, mas com muita união e muita alegria.
Moral : Porquinho = : O poder da oração
Cabrito = Amor de mãe
Peru = A persistência
Boi = Proteção aos mais fracos
Bisa Maith
1:33 PM
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2006-02-06
I = O RATINHO DESOBEDIENTE,
Dona Rata sempre dizia para seu filho Ratinho que nunca saísse de perto de sua toca e, principalmente, que nunca invadisse as casas.
- Mas, Mamãe! Dizem que nas cozinhas sempre tem coisas gostasas para comer pão, queijo, frutas...
- Mas não é certo e é muito perigoso. Existem ratoeiras, comida envenenada e pessoas cruéis que judiam dos bichinhos.
Mas o Ratinho não ouviu os conselhos da mãe e, certa manhã, bem cedinho, burlou a sua vigilância e foi aventurar-se.
Quando descobriu um vão embaixo da pia da cozinha da casa onde moravam Fernando e Gláucia, por lá enfiou-se meio apertado, mas conseguiu entrar e deliciou-se com o que viu. As crianças tinham lanchado a noite e derrubaram no chão farelos de pão, pedacinhos de queijo e de biscoito, uma delícia!
Mas, de repente. Fernando entrou.
O ratinho conseguiu enfiar-se embaixo da geladeira antes que ele o visse e ficou esperando que ele fosse embora para sair.
Fernando, no entanto, parecia disposto a ficar por ali um bom tempo. Pegou a chaleira, o coador, o bule.
- Chiii! Ele vai fazer café. Vai demorar e eu preciso ficar aqui neste aperto bem quietinho para que ele não me veja.
De vez em quando, arriscava uma espiadinha para ver como iam as coisas lá fora e foi numa dessas vezes que Fernando o viu:
- Gláucia! Tem um rato aqui na cozinha! Venha ver!
- Mata ele! Gritou a Gláucia entrando na cozinha.
Fernando estava de quatro no chão tentando enxergar embaixo da geladeira:
- Não tenho coragem! Ele é tão pequenino, tão indefeso!
- Mata esse rato senão eu te mato!
Fernando levanta e encara a esposa:
- Acho melhor você matar o rato. Garanto que é bem mais fácil
-Deixa de brincadeira e mata esse rato de uma vez!
Fernandinho ouviu lá da cama a gritaria e entrou na cozinha com a vassoura na mão:
- Pode deixar, Mãe, eu mato o rato.
Gláucia agrarra o braço do Fernandinho e grita:
- Você não! Saia já daqui!
O ratinho sentiu-se ameaçado. Do Fernando e da Gláucia ele não tinha medo. Fernando estava com dó e Gláucia com medo, não ofereciam perigo, mas o Fernandinho ... se conseguisse escapar da mão da mãe... não queria nem imaginar o que ele podia fazer.
Tinha que dar um jeito de voltar para a saída debaixo da pia, mas, como? E se o Fernandinho o atacasse?
Aproveitando um momento de descuido, enquanto o Fernando servia à mulher uma xícara do café recém-passado e o Fernandinho pedia ao pai o pacote de biscoito, saiu de seu esconderijo e, corajosamente atravessou a cozinha correndo.
Gláucia soltou a xícara, agarrou o braço do Fernandinho e arratou-o para fora gritando:
- "Mate esse rato, Fernando", enquanto o Fernandinho esperneava berrando: "Deixa eu matar o rato, Mamãe! "e o Fernando ria:"Um a zero pro rato!"
O Ratinho chegou esbaforido na toca e contou à Rata o que lhe tinha acontecido.
A Rata repreendeu-o mas não o castigou. Ele já tivera o seu castigo e aprendera sua lição:
"Nunca desobedecer a Mamãe. Ela sempre sabe o que é bom para o seu filho."
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CRÉDITOS
Ilustração: LU FARIAS
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