A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS

///A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS///


HISTÓRIAS INFANTIS = ILUSTRAÇÃO DE LU FARIAS

2006-02-16



VI = A UNIÃO FAZ A FORÇA

O macaco estava com muita fome, mas só do outro lado do rio havia alimento e a ponte tinha caído.
Ficou, sorumbático e desenxabido, sentado em uma pedra observando a sua volta apenas pedras e vegetação imprópria para sua alimentação, esperando que aparecesse alguém para consertar a ponte.
Pouco depois chegou um javali e olhando desanimado para o rio disse:
- Que maçada!
- Eu estou esperando que consertem a ponte, respondeu o macaco. Não saio daqui antes disso.
- Então, eu vou esperar também.
E acomodou-se.
O veado apareceu logo em seguida:
- Será que vão consertar logo essa ponte?
- Não sei. Os homens são tão preguiçosos!
Depois chegou o coelho e também se aborreceu com o contratempo e juntou-se aos outros para esperar.
Todos estavam famintos e ansiosos para atravessar o rio e deliciar-se com a fartura do lado de lá.
Foi então que uma formiga que os observava falou:
- Olhe aquele tronco caído ali. Se vocês o arrastarem para o rio terão uma canoa improvisada que poderá levá-los ao lado de lá.
- Boa idéia! Exclamou o coelho, mas eu não tenho força suficiente para empurrá-lo.
- Nem eu, disse o javali.
- Nem eu, disse o macaco.
- Nem eu, disse o veado.
- Espera aí, disse a formiga. Nenhum de vocês pode mover um tronco tão pesado,sozinho, mas se se unirem poderão fazê-lo
- Isso mesmo disse o coelho, só que eu como sou o menorzinho não posso ajudar.
- Eu também não posso porque estou muito cansado, disse o porco.
- Nem eu, porque estou com muita fome, disse o veado.
- E eu estou com dor nas costas, não posso fazer força, concluiu o macaco.
- É uma pena, tornou a formiga. Vocês poderiam fazer uma forcinha, depois se fartariam, mas, como não querem, vão ficar ai morrendo de fome até alguém consertar a ponte, sabe-se lá, quando!.
Diante da evidência os bichos resolveram unir-se. Empurraram o tronco para a água e subiram nele, munidos de varas compridas para impulsionar o barco improvisado
- Ei! Espere aí, gritou a formiga, que eu também vou.
- Não vai não, exclamou o macaco. Você não ajudou a empurrar o tronco, não tem direito.
- Como não? Não fui eu que dei a idéia? Nenhum de vocês tinha pensado numa solução tão simples.
Os bichos então compreenderam que cada um ajuda como pode. Uns trabalham com os braços, outros com a mente, e precisam unir-se porque "A UNIÃO FAZ A FORÇA"


Bisa Maith
4:57 PM

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2006-02-12


V = UM LUGAR AO SOL


Em um maravilhoso jardim magníficas rosas, lírios e crisântemos exibiam sua beleza, espargiam seu perfume e orgulhavam-se de sua nobreza.
Um dia, porém, nasceu entre elas uma plantinha silvestre que, por um lapso, o jardineiro deixou crescer.
Quando foi arrancá-la viu que ela estava carregada de botões e resolveu esperar uns dias para ver como seriam as suas flores.
Ficou maravilhado quando se abriram! Eram lindas! Mais bonitas do qualquer daquelas que ele plantara com tanto cuidado e ele resolveu cultivá-las junto às outras.
Estas, porém, enciumadas quiseram destruí-la, mas, fixadas ao solo, as plantas não podem atacar ninguém. Tiveram que pedir ajuda.
A rosa pediu ao beija-flor:
- Quando pousar sobre ela dê um jeito de desfolhá-la.
- Não vou fazer isso, respondeu o beija-flor. Ela é tão linda! Seu néctar é tão farto e tão doce!
O lírio chamou uma formiga que passava e pediu:
- Vá lá e pele-a! Sem uma só folha ela por certo morrerá.
Mas a formiga também se negou:
- Eu só corto as plantas para me alimentar. Nunca faço isso por maldade.
Foi à vez do crisântemo pedir à minhoca:
- Você que vive embaixo da terra podia bem chegar até ela e destruir-lhe a raiz.
- Que pensa que sou? Uma destruidora de flores? Não vou fazer isso!
Sem ajuda dos animais, as plantas nada puderam fazer contra aquela que consideravam sua rival e perigosa inimiga.
Enquanto isso, o jardineiro, encantado com a descoberta da nova flor, passou a cuidar dela um com carinho todo especial e proteger as mudinhas que nasciam ao seu redor, de sorte que, em breve, ele tinha um lindo canteiro de Juremas, nome de sua namorada, com que ele batizou a flor desconhecida.
E a rosa estava cada vez mais despeitada:
- Quando a Jurema souber que o namorado deu o seu nome a uma flor do mato, tendo tantas flores nobres a sua disposição, por certo vai ficar ofendidíssima. É capaz até de acabar o namoro! Tomara que acabe mesmo para esse jardineiro idiota aprender a não dar valor para o que não tem.
Mas, não foi isso que aconteceu.
Quando a Jurema-mulher, veio conhecer a Jurema-flor, ficou encantada com ela e, quando o namorado colheu a mais bonita e lhe ofereceu, ela ficou emocionada. Encostou-a no rosto e aspirou-lhe deliciada o seu perfume.
- Tão idiota quanto o namorado, resmungou o lírio, aborrecido.
Jurema era ao mesmo tempo uma flor delicada e forte. Nenhuma resistia tanto quanto ela, as intempéries, o vento, a chuva forte, a geada. Nativa da selva aprendera a superar os embates da natureza e estava sempre radiante e ilesa.
No inverno todas perderam muito de seu encanto, menos ela.
Quando chegou a primavera, o jardineiro levou-a para concorrer a um concurso de flores raras.
Ganhou um prêmio, foi entrevistado, Jurema foi fotografada e foi notícia de destaque em um jornal.
O jardineiro tornou-se muito conhecido e começaram a aumentar sua venda de flores. Todos queriam um buquê, uma muda ou algumas sementes da Jurema, a flor que se tornara famosa.
Com isso, também as outras flores acabaram lucrando, pois com a ocorrência de tantas visitas ao jardim, tiveram a oportunidade de exibir seus atributos.
Muitos preferiam um buquê de rosas, lírios ou crisântemos a um de Juremas e elas por fim compreenderam que ninguém é maior ou menor aos olhos de Deus e que, para todos. há sempre um lugar ao sol.


Bisa Maith
10:21 PM

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2006-02-11


IV = OS BRUTOS TAMBÉM AMAM




Era uma vez um casal de leões que viviam muito felizes na floresta.
Já tinham tido vários filhos que cresceram e foram viver a sua vida. Agora tinham um filhote recém-nascido que era o seu encanto.
O leão era lindo! Tinha o pelo farto e uma magnífica juba.
A leoa não era tão bonita quanto ele. Seu pelo era mais raso e menos sedoso, mas o leão achava que ela era a leoa mais bonita da floresta.
O leão era forte, orgulhoso, e, tido como o Rei dos Animais, julgava-se superior a todos os outros que o temiam e respeitavam.
A leoa era humilde. Amava o leão, admirava sua força e sua beleza, sentia-se protegida ao seu lado, mas achava que ele era muito rude com os animais mais fracos e dizia isso a ele que retrucava:
- Se Deus me fez mais belo e mais forte é porque queria que eu os dominasse, que eles rastejassem a meus pés.
- Ou será que você sendo o mais forte, devia proteger os outros?
- Imagine! Eu nasci para dominar e eles para serem dominados.
Um dia, porém, ele saiu dar uma volta enquanto ela ficava em casa cuidando do leãozinho e quando voltou encontrou-a presa em uma armadilha e o filhinho tinha desaparecido.
Ficou desesperado! Não sabia se soltava a leoa ou se corria a procura do leãozinho, mas não sabia como fazer nem uma coisa nem outra.
Na certa algum caçador prendera a leoa para poder capturar o filhote, que provavelmente seria vendido para um circo ou um zoológico. Ficaria conhecido e famoso, mas o leão não queria saber disso. Queria a companheira e o filhinho a seu lado.
Usando sua prerrogativa de rei, convocou todos os bichos da redondeza e pediu ajuda.
A primeira a se manifestar foi a formiga:
- Estou pronta a ajudar
Mas o leão expulsou-a:
- Sai já daqui! Você é um inseto miserável, não presta pra nada!
Entretanto, um a um, todos os outroa animais negaram-se a socorrer o leão.
O macaco falou:
- Eu não vou fazer nada. Você sempre me desprezou. Bem feito!
A onça disse:
- Eu não vou me meter nas encrencas dos outros. Chega as minhas. Arranje-se!
A cobra também esquivou-se:
- Você não dizia sempre que eu vivia rastejando? Agora é você que estã se arrastando a nossos pés para pedir ajuda.
E assim um a um, todos os súditos do rei leão negaram-se a auxilia-lo e ele ficou muito aflito.
Foi então que a leoa chegou perto dele e fez-lhe um carinho:
- Você? Como conseguiu escapar da armadilha?
- Um ratinho me ajudou.
- Um rato? Que humilhação! Ficar devendo favor a um rato! Mas, como foi que o rato consegui soltá-la?
- Não foi bem um rato. Ele chamou seus amigos e todos juntos foram roendo a armadilha até conseguir fazer um buraco suficiente para eu sair.
- É incrível!
Todos os animais tinham ido embora, menos a formiga que, aproximando-se da leoa, ofereceu-se mais uma vez:
- Eu posso ajudar.
- Como?
- Eu sei onde está o leãozinho.
- Pois então nos leve até lá.
- Eu vi quando os caçadores se abrigaram em uma tenda, lá perto do meu formigueiro, mas eles estão armados. Se vocês se aproximarem eles os matarão. Mas, não se incomodem que eu sei o que fazer.
Foi rapidamente ao formigueiro e convocou milhares de formigas para acompanhá-la na emocionante aventura de salvar o filho do leão
Todas juntas invadiram a tenda onde os caçadores dormiam e rapidamente os cobriram de picadas.
Acordaram aturdidos e saíram correndo, sentindo ferroadas pelo corpo todo e deixando o animalzinho roubado lá dentro.
O leãozinho estava dormindo. Era muito pequeno e muito frágil para se defender e nem sabia ao certo o que estava lhe acontecendo.
Os leões que aguardavam a distância não perderam tempo, invadiram a tenda e saíram levando o filhinho.
E a família leonina foi feliz para sempre.


Moral: "Ninguém é tão poderoso que nunca precise de ajuda nem tão insignificante que não possa ajudar."

Bisa Maith
11:42 PM

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2006-02-08



III = O PÁSSARO FERIDO



Reinaldo gostava de atirar pedras em passarinhos.
Em vão a mãe o advertia e a professora aconselhava. Ele não ouvia ninguém e, com o seu estilingue, tinha um sádico prazer em alvejar os coitadinhos que passavam voando. Ficava exultante quando conseguia derrubar um deles.
Uma tarde ele viu um passarinho diferente, muito colorido, bonito mesmo e, não teve dúvida, lá se foi a pedra certeira que derrubou -o lá longe.
Reinaldo sorriu satisfeito com a sua maldade:
- Esse não vôa mais por ai! Não vai cantar nem botar ovos!
Sentia-se forte, poderoso e soberbo diante da fragilidade do passarinho e isto o satisfazia.
Mas no dia seguinte, quando chegou na escola viu que a Glorinha contava alguma coisa emocionante aos colegas que a rodeavam interessados.
Aproximou-se também e ficou estarrecido com o que ouviu.
A Glorinha dizia:
- Pois é, ele caiu no quintal de casa. Meu pai disse que não conhece esse passarinho que pode ser alguma espécie em extinção que precisa ser preservada.
- Será que ele vai morrer?
- Espero que não. A pedra atingiu-o de raspão. Machucou muito a asa. Por isso ele não pode voar. Eu o prendi e vou cuidar dele até sarar depois eu solto para ele ir embora.
- Que horror! Quem será que fez isso com ele?
- Sei lá! Só sei que é alguém muito ignorante e cruel. Um ser desprezível!
Reinaldo incorporado ao grupo ouvia em silêncio e não pode deixar de sentir-se mal.
- Eu? ignorante, cruel, desprezível?
Incomodado, pensava que se os colegas soubessem eram capazes de se reunirem e dar-lhe uma surra. Merecida! Tinha que admitir.
Nos dias seguintes, quando a Glórinha chegava os colegas a rodeavam para perguntar do piteco, que era o apelido que deram ao passarinho, e Reinaldo juntava-se a eles e ouvia interessado as últimas novidades.
Fingido, ele?
Não. Estava arrependido e tudo que queria era que o passarinho sarasse logo.
Muitos colegas foram a casa da Glórinha para ver o Piteco e alguns quiseram até tirar uma foto dele.
Quando ele sarou Glorinha levou-o ao quintal e soltou. Ele voou um pouco e caiu. Ela pegou-o, levou de novo para a gaiola e cuidou mais um pouco dele. Levaram alguns dias de treino para que enfim ele pudesse voar e sumir nos ares.
Glorinha chorou muito. Sentia saudades dele. Já se acostumara a vê-lo ali na gaiola, a cuidar dele.
Um colega aventurou-se:
- Se fosse eu não soltava. Devia deixa-lo preso, quanto mais que ele é um pássaro raro. Você podia até vendê-lo por um bom preço.
Glorinha escandalizou-se:
- Você esta louco? Ele é um pássaro silvestre, não pode ficar preso.
- Mas você cuidaria dele, não deixaria que nenhum mal lhe acontecesse, ao passo que solto ele corre perigos.
- Apesar dos perigos ele precisa de liberdade. Nunca ficaria feliz preso em uma gaiola.
Mas Glorinha estava muito triste. O piteco fazia muita falta ,mas ela consolava-se, consciente de que fizera o que era certo e imaginando como ele devia estar contente, voando de novo por ai.
No dia seguinte, de manhã, porém ela teve uma surpresa. Quando abriu a janela do quarto, o Piteco estava ali pousado na floreira.
Ela ficou muito alegre. Foi correndo buscar um pouco de alpiste para ele, que comeu e depois voou para longe.
A partir de então todas as noites Glorinha deixava comida e água fresca para ele e assim que levantava ia correndo ver se ele estava lá. Algumas vezes o via, outras chegava tarde. Ele já tinha ido. Mas não tinha dúvida de que ele vinha visitá-la.
Nós não sabemos até que ponto os passarinho têm consciência do que os rodeia, mas não há dúvida de que sentem dor, frio, fome.
E sabemos ainda que são capazes de se afeiçoar às pessoas.


Bisa Maith
4:56 PM

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2006-02-07




II =O NATAL DA BICHARADA



O porquinho estava muito preocupado, pois aproximava-se o Natal e ele estava desconfiado de que seria morto e assado para ser servido na ceia.
A sua dona o estava tratando muito bem. Todo dia tinha comida farta e água fresca. Não havia dúvida. Ela queria engordá-lo para a festa.
Ele precisava fugir mas não sabia como. A cerca do chiqueiro era alta para ele pular e já tentara abrir um buraco embaixo e não conseguira. Estava perdido!
Então ele resolveu rezar. Pediu a Deus com muita fé que o livrasse do estilete. Pediu ao Menino Jesus que era tão bonzinho, gostava tanto dos animais e não devia ficar contente de ver um pobre porquinho assado com um ovo cozido na boca para homenagea-lo, que intercedesse por ele diante do Pai e que ele conseguisse um jeito de escapulir.
Suas preces foram ouvidas e atendidas.
Na ante-véspera do Natal, justo no dia em que ele seria sacrificado, desabou sobre a região uma tremenda tempestade e a cerca do chiqueiro foi arrancada pela enxurrada.
Estava livre! Exultou o porquinho e depois de agradecer a Deus e a Jesus, saiu na disparada, debaixo da chuva, atolando os pés na lama, atravessando as poças dágua e rapidamente estava do outro lado da cidade, bem longe da casa do seu dono.
Mas, sentiu que não podia ficar por ali, pois, certamente alguém o pegaria,fiicaria contente por ter encontrado um leitãozinho perdido e não teria dúvida de fazer dele um gostoso torresminho.
Resolveu sair da cidade e embrenhou-se pela mata procurando um lugar acolhedor para fixar sua morada de porco fugitivo.
Então, ele viu uma clareira onde já se encontravam alguns animais: um boi, um peru e um cabrito.
- Boa tarde, amigos, cumprimentou educadamente o leitão. Que fazem reunidos aqui?
- Estamos fugindo. Nossos donos queriam nos matar e nós fugimos.
O porquinho contou sua história e foi convidaddo a ficar, também, ali com eles.
O cabritou contou como tinha fugido:
- Eu estava preso e ia ser matado e assado para o Natal. Estava com muito medo e minha mãe também estava preocupada mas não sabia como fugir e ela não podia me ajudar.
Mas, ontem de manhã, minha dona veio dar-me comida e o Bebê veio atrás dela. Ela deixou-o por um momento brincando no quintal enquanto punha o milho e a água pra mim, e, então minha mãe que estava por ali teve uma idéia. Avançou no Bebê que assustado caiu sentado, chorando apesar dela não ter tocado nele.
- Quando a mãe ouviu seus gritos correu alarmada e esqueceu o portãozinho aberto. Foi a minha chance. Saí correndo e ela não conseguiu alcançar-me. Depois de muito andar acabei chegando aqui e encontrando estes amigos com quem estou vivendo agora.
O peru tomou a palavra:
- Eu estava preso no galinheiro esperando a minha hora. Para aumentar a minha tortura, meus donos conversavam perto de mim, planejando a minha execução com a maior frieza possível. Discutiam quando e quem me mataria. Falavam de receitas de farofa e de pessoas peritas em preparar perus assados. Eu não tinha esperança de safar-me. A cerca era alta e eu não sou uma ave voadora, mas, pensei cá comigo:
- Tenho asas fortes. Quem sabe se exercitar bastante consigo voar o suficiente para passar a cerca? E foi o que fiz. Todo dia, muito cedo, antes que o pessoal da casa levantasse eu treinava meus vôos. Cada dia conseguia voar mais alto, até que um dia consegui escalar a cerca e fugir, um pouco correndo, um pouco voando, até aqui.
- Falta você, falou o leitão para o boi. Como foi que chegou aqui?
- Para mim foi fácil. A cerca do pasto não é muito sólida, não é preciso, pois o gado é, em geral, muito pacífico e não tenta fugir.
Eu nunca tinha pensado em sair de lá, mas quando ouvi meu patrão dizer que ia fazer uma churrascada no Natal e que eu é que estava "no ponto", não perdi tempo. Aquela noite mesmo derrubei a cerca e aqui estou.
Como sou, aqui, o maior e o mais forte, vou proteger vocês de todos os perigos. Podem confiar em mim.
E já que estamos todos aqui, vamos fazer a nossa festa de Natal. Vamos convidar os bichos silvestres também e todos juntos homenagear o Menino Jesus e agradecer por termos conseguido fugir da "celebração"de nossos donos.
E Jesus por certo ficou muito contente com a festa dos animais, sem luxo, exagero, nem ostentação, mas com muita união e muita alegria.

Moral : Porquinho = : O poder da oração
Cabrito = Amor de mãe
Peru = A persistência
Boi = Proteção aos mais fracos

Bisa Maith
2:33 PM

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2006-02-06


I = O RATINHO DESOBEDIENTE

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Dona Rata sempre dizia para seu filho Ratinho que nunca saísse de perto de sua toca e, principalmente, que nunca invadisse as casas.
- Mas, Mamãe! Dizem que nas cozinhas sempre tem coisas gostasas para comer pão, queijo, frutas...
- Mas não é certo e é muito perigoso. Existem ratoeiras, comida envenenada e pessoas cruéis que judiam dos bichinhos.
Mas o Ratinho não ouviu os conselhos da mãe e, certa manhã, bem cedinho, burlou a sua vigilância e foi aventurar-se.
Quando descobriu um vão embaixo da pia da cozinha da casa onde moravam Fernando e Gláucia, por lá enfiou-se meio apertado, mas conseguiu entrar e deliciou-se com o que viu. As crianças tinham lanchado a noite e derrubaram no chão farelos de pão, pedacinhos de queijo e de biscoito, uma delícia!
Mas, de repente. Fernando entrou.
O ratinho conseguiu enfiar-se embaixo da geladeira antes que ele o visse e ficou esperando que ele fosse embora para sair.
Fernando, no entanto, parecia disposto a ficar por ali um bom tempo. Pegou a chaleira, o coador, o bule.
- Chiii! Ele vai fazer café. Vai demorar e eu preciso ficar aqui neste aperto bem quietinho para que ele não me veja.
De vez em quando, arriscava uma espiadinha para ver como iam as coisas lá fora e foi numa dessas vezes que Fernando o viu:
- Gláucia! Tem um rato aqui na cozinha! Venha ver!
- Mata ele! Gritou a Gláucia entrando na cozinha.
Fernando estava de quatro no chão tentando enxergar embaixo da geladeira:
- Não tenho coragem! Ele é tão pequenino, tão indefeso!
- Mata esse rato senão eu te mato!
Fernando levanta e encara a esposa:
- Acho melhor você matar o rato. Garanto que é bem mais fácil
-Deixa de brincadeira e mata esse rato de uma vez!
Fernandinho ouviu lá da cama a gritaria e entrou na cozinha com a vassoura na mão:
- Pode deixar, Mãe, eu mato o rato.
Gláucia agrarra o braço do Fernandinho e grita:
- Você não! Saia já daqui!
O ratinho sentiu-se ameaçado. Do Fernando e da Gláucia ele não tinha medo. Fernando estava com dó e Gláucia com medo, não ofereciam perigo, mas o Fernandinho ... se conseguisse escapar da mão da mãe... não queria nem imaginar o que ele podia fazer.
Tinha que dar um jeito de voltar para a saída debaixo da pia, mas, como? E se o Fernandinho o atacasse?
Aproveitando um momento de descuido, enquanto o Fernando servia à mulher uma xícara do café recém-passado e o Fernandinho pedia ao pai o pacote de biscoito, saiu de seu esconderijo e, corajosamente atravessou a cozinha correndo.
Gláucia soltou a xícara, agarrou o braço do Fernandinho e arratou-o para fora gritando:
- "Mate esse rato, Fernando", enquanto o Fernandinho esperneava berrando: "Deixa eu matar o rato, Mamãe! "e o Fernando ria:"Um a zero pro rato!"
O Ratinho chegou esbaforido na toca e contou à Rata o que lhe tinha acontecido.
A Rata repreendeu-o mas não o castigou. Ele já tivera o seu castigo e aprendera sua lição:


"Nunca desobedecer a Mamãe. Ela sempre sabe o que é bom para o seu filho."

Bisa Maith
1:39 PM

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ARQUIVO


CRÉDITOS
Ilustração: LU FARIAS
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