A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS

///A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS///


HISTÓRIAS INFANTIS = ILUSTRAÇÃO DE LU FARIAS

2006-03-26

X = UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO


A professora mandou os alunos fazerem uma redação sobre o seu animal de estimação.
Carlos escreveu sobre o cachorro que é mais velho do que ele e que é muito querido.
Silvia contou a história do gatinho abandonado que ela levou para casa.
Saulo discorreu sobre o cavalo que ganhou de seu avô.
Assim, cada uma das crianças fez a sua redação e a professora mandou que uma a uma, fossem lá na frente e lessem o seu relato para os colegas.
Quando chegou a vez da Marilda ela começou:
- Meu animal de estimação é um sapo.

- Um sapo?! exclamaram todas as crianças ao mesmo tempo.
- Silêncio! pediu a professora. Deixem a Marilda continuar.
Uma noite, ouvimos, de repente. Um grito na cozinha:
- Uaauuuuuuuu!
Meus pais correram para lá pensando que seria no mínimo uma cobra que assustara a empregada, talvez até uma onça!
Quando viu o sapo minha mãe agarrou-se no meu pai e gritou:
- Uuuiiiiiiiiiii!
Meu pai que é muito corajoso, pegou a vassoura, varreu o bicho pra fora e fechou a porta.
Todos foram dormir, mas eu fiquei com pena do coitadinho, lá fora naquele frio, levantei devagarzinho e fui pé ante pé, peguei o sapo e levei para o meu quarto.
- Vou cuidar direitinho de você, disse a ele.
Para minha surpresa ele respondeu:
- Você é uma boa menina e eu também vou ser muito bonzinho. Não vou incomodar ninguém.
E o sapo ficou morando no meu quarto,
De manhã eu o coloco dentro da gaveta para ninguém vê-lo e de tardezinha quando todos já estão se preparando para recolher-se eu o tiro de lá e a gente fica conversando.
Logo ficamos íntimos. Eu contei a ele todos os meus segredos e ele contou-me a sua história.
Ele não foi sempre um sapo.
Era um moço muito bom e muito bonito chamado Arlindo.
Aconteceu, porém, que ele apaixonou-se pela filha do rei e este não queria o casamento porque ele não era príncipe e era pobre.
Por isso mandou prendê-lo.
Mas a princesa gostava muito dele e ia, escondido do pai, vê-lo na prisão.
Quando o pai soube disso mandou chamar uma bruxa que o transformou em um sapo.
A princesa ficou muito triste, mas prometeu que quando o efeito da magia acabasse ela o ela iria busca-lo onde ele estivesse, eles se casariam e iriam para muito longe onde o pai dela não pudesse encontrá-los.

Quando Marilda acabou de ler, os colegas exclamaram:
- Você está mentindo!
- Não, disse a professora, ela está não está mentindo. Está contando uma história. As histórias não precisam ser verdadeiras
- Mas o que contei é verdade mesmo, protestou a Marilda.
- Bem, se você quer que as pessoas acreditem em uma coisa que não é verdade, isto é mentir e mentir é muito ruim.
- Não é mentira, teimou a Marilda.
A sineta tocou. A professora encerrou a aula e não voltou mais ao assunto.
Mas os colegas não esqueceram e estavam sempre amolando a garota, perguntando pelo Sap-Arlindo.
- Vocês não acreditam? Pois vamos lá em casa que eu mostro o sapo encantado pra vocês.
E um dia um grupo de meninas resolveu ir a sua casa para desmascará-la.
Marilda estava segura de si. Levou as colegas ao seu quarto, fechou a porta e abriu a gaveta.
O sapo não estava lá, mas ela não perdeu o requebrado:
- Ele foi embora! Acho que a magia acabou e a princesa veio buscá-lo.
Correu à janela, abriu a cortina e apontou para as colegas boquiabertas:
- Olhem! Lá vai ele com a princesa.
As meninas olharam na direção apontada por Marilda e todas "viram" um casal de jovens cavalgando um cavalo alado desaparecendo entre as nuvens.


Bisa Maith
8:56 PM

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2006-03-18



IX =O MONSTRO HUMANO


A lontrazinha pediu à mãe que lhe contasse uma história.
- Que história você quer?
- Uma história do Monstro Humano.
- Do Monstro Humano? Você vai ficar com medo!
- Não, Mamãe, já sou bem crescida.
E a lontra começou
- Era uma vez um monstro humano muito cruel.
Ele tinha uma criação de coelhos. Tratava-os muitos bem, comida farta e boa, água fresca e viveiro aquecido.
Os coelhinhos acreditavam que ele os amava e confiavam inteiramente nele.
Mas um dia, ele armou-se de uma faca, matou os pobrezinhos, assou -os e comeu a sua carne.
A lontrazinha arregalou os olhos:
- Credo, Mamãe! Dá até arrepios
- Com a pele dos coitadinhos ele fez bolsas e vendeu dizendo que eram de lontra.
- De lontra?! Lontras como nós!
- Isso mesmo.
- Depois, ele resolveu caçar lontras para, com seu couro fazer tapetes e agasalhos que têm muito valor.
E veio para o litoral onde vivemos a nossa procura.
Mas, antes que nos encontrasse um lobo o encontrou. Correu atrás dele mas, antes que o lobo o alcançasse o monstro subiu em uma árvore.
O lobo ficou em baixo da árvore esperando que ele descesse para atacá-lo. Estava disposto a esperá-lo quanto tempo fosse preciso, mas não desistiria de sua presa.
O monstro por sua vez não queria descer enquanto o lobo estivesse por perto e o tempo foi passando. Começou a ficar com fome e quando a noite caiu sentiu muito frio.
E o lobo ali, firme no seu posto esperando o seu banquete.
Mas o lobo, também, foi ficando cansado e com sono e acabou dormindo.
O monstro, então, desceu da árvore e fugiu correndo.
Conseguiu enganar o lobo, mas não se arriscaria mais. Desistiu de vez do seu artesanato feito com couro de lontras.
- Que história triste, Mamãe!
- É sim. Muito triste. Mas, agora, vá dormir.
A lontrazinha não conseguia conciliar o sono. As cenas da história que acabara de ouvir não lhe saiam da cabeça e ele começou a ficar com medo. Qualquer barulhinho sobressaltava-a imaginando que era o Monstro Humano que estava chegando.
Não suportando mais a aflição chamou o irmão.
Este abriu um olho sonolento e perguntou:
- Que foi?
- Estou com medo.
- Medo de que?
- Medo do Monstro Humano.
- Ora, deixe de ser boba. Monstros Humanos não existem. São só de mentirinha, respondeu e continuou a dormir.
Mas a lontrazinha continuou preocupada:
- Será?


Bisa Maith
10:35 PM

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2006-03-11

VIII = A BORBOLETA FEIA


Sobre um lindo jardim florido sobrevoavam borboletas multicoloridas de rara beleza.
Mas, entre elas havia uma que destoava das outras pela sua simplicidade. Era feinha, pequena e suas asas tinham a cor das folhas secas.
A beira do passeio cresciam singelas violetas silvestres, pequenas, descoloridas, escondidas entre a folhagem.
A borboleta feia chegou-se às violetas e disse:
- Vocês não acham que Deus é injusto? Tal como faz com os humanos, dá a alguns a beleza, a exuberância, a glória e para outros a mediocridade, o anonimato.
Uma das violetas tomou a palavra e respondeu:
- Deus é muito sábio. Tão sábio que nós não podemos compreender todos os seus desígnios, mas ele é infinitamente justo. Cada um de nós tem o seu lugar e a sua tarefa neste mundo.
- Você acha certo que as outras flores enfeitem os salões e sejam caprichosamente arrumadas em buquês e corbelies, enquanto vocês ficam ai ignoradas e inúteis, muitas vezes até pisadas pelos transeuntes.
- Nós estamos aprendendo uma lição.
- E que lição é essa?
- A lição da humildade.
- Hummm!!! resmungou a borboleta afastando-se.

No dia seguinte houve um casamento e todas as flores foram colhidas para fazer o buquê da noiva, enfeitar a igreja e o salão de festas.
Todas, menos as violetas, é claro.
Mais uma vez a borboleta feia veio questionar:
- Vocês não têm inveja dessas flores que estão sendo vistas e admiradas por todos enquanto vocês estão ai escondidas, ignoradas.
- Não, porque neste mundo cada qual tem a sua missão. A das flores bonitas, é fazer parte das decorações e a nossa é ficar aqui, dando o que temos para alegrar a vista de quem passa por nós.
- Acho que ninguém as vê assim como ninguém me nota só porque não nasci com lindas asas coloridas.
- Um dia um menino pobre queria dar um presente a professora e não tinha dinheiro para comprar nada, então ele colheu um buquê dentre nós e levou a ela.
- A professora deve ter jogado direto no lixo.
- Nada disso. Ela ficou muito contente com o presente e colocou em um vasinho com água sobre a sua mesa.
- Hummmm!!!
Nisso viram um alvoroço entre as borboletas. Um menino estava caçando-as para fazer um quadro com elas. As borboletas tentaram fugir. Umas voaram, outras pousaram, mas poucas escaparam da rede do garoto.
A borboleta feia pousou entre umas folhas secas, da cor de suas asas e não foi vista por ele.
As flores bonitas, no dia seguinte estavam no lixo e as belas borboletas, continuavam belas, porem atravessadas por um alfinete, espetadas em um quadro. Mortas!
As violetas continuaram enfeitando singelamente a beira da calçada enquanto a borboleta feia voava. Feia sim! Mas viva!.


Bisa Maith
5:56 PM

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2006-03-02


VII = O SONHO DO MARCELINO


Marcelino e os amigos costumavam passar as tarde de domingo nadando em um rio que passava próximo da cidade.
O rio era piscoso e à sua margem sempre havia muitas pessoas pescando, mas, Marcelino não gostava de pescar. Tinha pena dos peixes. Que coisa horrível devia ser engolir um anzol! Preferia vê-los dentro da água, chegando até a tona para comer as migalhas que eles jogavam no rio.
A mãe de Marcelino sempre preparava um gostoso lanche para ele levar e, além dos conselhos costumeiros de toda mãe:
- Cuidado! Não se afaste muito da margem! Volte antes de anoitecer, etc. ainda recomendava sempre:
- Não jogue no rio nada que os peixes não comem. Esse lixo vai poluindo a água e um dia você não poderá mais nadar na água suja, não teremos mais peixes e pode ser até que nos falte água na torneira.
Marcelino pegava a sacolinha plástica que a mãe entregava para colocar o lixo que depois levaria até uma lixeira, mas os companheiros caçoavam:
- Essas mães tem cada uma! Imagine se umas latinhas vão poluir um rio deste tamanho!
E lá se iam para o rio latinhas, garrafas, embalagens plásticas e até a sacolinha que a mãe lhe dera.
Como se isso não bastasse, ainda catavam tudo que os outros deixavam jogado a beira do rio e atiravam na água, apostando quem seria capaz de atirar mais longe.
Mas, uma noite Marcelino teve um sonho muito estranho.
Sonhou que estava nadando no rio e de repente sentiu uma coisa esquisita. Notou que respirava bem embaixo da água e não conseguia respirar com a cabeça para fora.
Ficou aturdido e por fim constatou assustado que havia se transformado em um peixe.
A sua volta centenas de peixes nadavam, peixes de toda espécie e de todo tamanho, desde os lambaris de cinco centímetros até os pintados de mais de dez quilos.
E Marcelino era um deles. Também nadava nas águas mais profundas do rio e podia conversar com os outros peixes.
E foi então que um deles lhe disse:
- Nós estamos nos mudando daqui.
- Mudando? Pra onde? Por que?
- Estamos indo lá pra cima, junto a nascente do rio, no meio da mata, porque a água aqui está muito poluída e em breve não conseguiríamos mais respirar e morreríamos.
- Mas, por que o rio ficou assim poluído?
- Por causa do lixo que jogam nele, milhares de pessoas displicentemente vão atirando na água tudo o que não presta até que um dia a água está tão suja que não dá mais para os peixes viverem nela,
Marcelino ficou apavorado! Só então percebeu que, realmente, a água estava turva e malcheirosa..
Que fazer? Ele não queria ir com outros peixes para o meio do mato, mas também não queria morrer sozinho, asfixiado naquela água imunda.
Tentou chamar pelos peixes que se afastavam, mas eles não mais o ouviram.
Aflito e assustado, despertou.
Que sonho horrível!
A partir desse dia Marcelino nunca mais jogou lixo no rio. Levava sempre a sacolinha para guardá-lo como a mãe sempre lhe dizia e aconselhava os colegas a fazerem o mesmo.
Os meninos não o ouviam e até caçoavam dele, mas ele estava fazendo a sua parte. Se todos fizessem como ele teríamos um rio limpo, onde os peixes viveriam contentes e as crianças podiam divertir=se nadando nas tardes de domingo


Bisa Maith
9:13 AM

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