A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS

///A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS///


HISTÓRIAS INFANTIS = ILUSTRAÇÃO DE LU FARIAS

2006-04-25

XII =

O MACAQUINHO FUJÃO



Pirulito nasceu na selva em meio a muitos animais, inclusive vários macacos, mas, então, ele não se chamava Pirulito. Não tinha nome. Pra que nome? A mãe conhecia todos seus filhotes e comunicava-se muito bem com eles sem necessidade de nomeá-los.
Mas o nosso macaquinho era diferente de seus irmãos. Enquanto os outros viviam alegremente na mata, subindo em árvores e comento frutos silvestres sem sequer supor que podiam fazer outra coisa na vida, ele queria ir para a cidade, ser o animal de estimação de alguém,
A mãe procurou dissuadi-lo de seus propósitos explicando que os animais de estimação são maltratados, embora seus donos às vezes pensem que estão sendo muito bondosos com eles, que o melhor lugar para o animal silvestre é a mata.
Diante de sua obstinação, proibiu-o terminantemente de sequer falar nisso.
E ele, desobediente, sempre se afastava do bando, ia para a beira das estradas por onde passava muita gente na esperança de que alguém o levasse para a cidade.
Até que um dia, quando andava pelo acostamento de uma estrada, vendo os carros que passavam correndo e imaginando como deviam ser felizes aquelas pessoas que moravam na cidade, de repente, sentiu que um laço lhe prendia as pernas e alguém o levantava pouco se importando com seus gritos de dor. Foi jogado dentro de uma caixa que foi fechado deixando entrar apenas o ar necessário para ele não morrer. A caixa foi enfiada no porta-malas de um carro que saiu em alta velocidade levando o pobrezinho para sua aventura que já então percebia que seria triste e sofrida.
E ele foi vendido para um circo onde um domador incumbiu-se de ensiná-lo a apresentar-se no picadeiro.
O domador o tratava com crueldade. Deixava-o passar fome e só lhe dava comida quando ele obedecia suas ordens. Mas nem sempre ele conseguia satisfazer o carrasco que queria obrigá-lo a transformar-se em um artista.
Ele aprendeu tudo que lhe ensinaram, cumprimentar a platéia, andar de bicicleta, pular corda, dançar com outro macaquinho vestido de mulher (Se ao menos fosse uma macaquinha...).
Deram-lhe o nome de pirulito e a criançada gritava por ele cada vez que se apresentava. Ficou muito conhecido. Não havia quem não tivesse, pelo menos, ouvido falar do macaquinho pirulito. Conheceu dias de glória e de fama, mas não estava feliz.
Cansou-se de tanto repetir os mesmos números nas diferentes cidades onde o circo se apresentava e agora tudo que queria era voltar para a floresta, mas não sabia como fazer para fugir do circo.
Até que um dia, quando viajavam de uma cidade para outra, o carro onde ele estava teve um desarranjo e precisou parar no acostamento.
Sem que ninguém o visse, ele desceu e correndo e embrenhou-se pelo mato.
Sem dar pela sua falta, prosseguiram a viagem pouco depois e ele se viu de novo na mata onde nascera, mas, já então tudo lhe parecia diferente e aterrador.
Desacostumara-se da vida silvestre, não sabia subir nas arvores e seus dentes, acostumados com a ração que lhe era dada no circo, não conseguia quebrar a casca dos coquinhos e começou a passar fome e arrepender-se de ter fugido.
Mas não sabia como voltar ao circo. Não sabia onde o circo se encontrava e, mesmo que soubesse, não conseguiria chegar lá.
Ia freqüentemente para o acostamento das estradas na esperança de que o circo passasse de novo por ali, mas era uma probabilidade muito remota e ele foi, cada vez mais, desanimando e convencendo-se de que acabaria seus dias na mata.
Mas um dia um carro parou bem pertinho dele. Várias crianças desceram para comer o seu lanche e ele aproximou-se.
- Olhe um macaquinho! gritou um.
- Vamos pegá-lo! exclamou o outro.
- O terceiro aproximou-se a medo e ofereceu-lhe uma banana.
Pirulito não comia uma banana há muito tempo. Aliás estava com uma fome danada.
- Olhe como ele é mansinho!
- Vamos levá-lo, Papai?
O pai concordou e o Pirulito foi colocado no banco de trás junto com as crianças, sob alguns protestos da mãe:
- Cuidado com ele! Ele pode morder!
- Se ele morder a gente solta de novo na estrada.
Imagine se ele ia morder!
As crianças estavam entusiasmadas.
- Vamos chamá-lo de Pirulito e ensinar para ele tudo o que o Pirulito do circo fazia.
Pirulito só não riu porque macacos não riem, mas ficou muito satisfeito.
-Imaginem só quando aquelas crianças descobrirem quanta coisa eu sei fazer! Vão fazer o maior sucesso com os amiguinhos!
E assim todos acabaram felizes para sempre.


Bisa Maith
6:01 PM

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2006-04-14

XI = O GATO PRETO


Clementina era uma gata angorá,lindíssima, muito bem cuidada e estimada por sua dona, Silvana.
Quando nasceram os gatinhos, Silvana ficou encantada. Eram lindos, branquinhos como a mãe, só um deles era muito feio, todo preto.
Como Silvana não podia ficar com todos os gatinhos, doou-os a amigas que ela sabia que cuidariam muito bem deles. Só ficou o negrinho que ninguém quis levar.
O marido de Silvana implicou com o gatinho preto e queria que ela desse um fim nele, mas Silvana tinha pena e estava disposta a ficar com ele.
- Você não sabe que gato preto dá azar?
- Não sei. Acho que isso é ignorância e preconceito.
Mas Zaqueu, o marido, começou a atribuir tudo que lhe acontecia de mau ao inocente gatinho que tinha em casa.
Batiam em seu carro, culpa do gato! Caia na escada, culpa do gato! Perdia a carteira, culpa do gato! Seu time perdia o jogo, culpa do gato!
Todos os dias Silvana e Zaqueu brigavam por causa do gato e um dia a Clementina ouviu ele dizer que ia matar o pretinho.
Apavorada, resolveu fugir com ele.
Saíram os dois, na calada da noite enquanto Silvana e Zaqueu dormiam e foram andando sem destino pela rua.
E agora? Pra onde ir?
Sentiram fome e foram obrigados a a arrebentar um saco de lixo para se alimentarem. Clementina sabia que não seria difícil aparecer alguém para adotá-la, mas e o negrinho? Ela não ficaria onde ele não fosse aceito.
De manhãzinha uma menina que ia a padaria com a mãe a viu e gritou:
- Mãe olhe que gata bonita! Posso levar pra mim?
- Pode, só que se o dono aparecer você tem que entregar,
- Tudo bem!. O dono não vai aparecer.
O irmãozinho que os acompanhava choramingou:
- Eu também quero um gato
- Leve o pretinho pra você, sugere a irmã.
- Dois gatos, crianças! É muita coisa. Levem só a gata que é mais bonita.
Mas o garotinho já estava com o gatinho no colo e a mãe acabou deixando que levasse.
Clementina e seu filho começaram a viver na casa de seus novos donos.
Não eram maus. Ninguém os maltratava, mas não eram carinhosos com eles como a Silvana e Clementina tinha muita saudade de sua antiga dona.
Mãe e filho viviam no quintal, eram proibidos de entrar na casa e as crianças logo enjoaram deles, mas, pelo menos estavam juntos.
Passaram-se alguns meses e um dia a família recebeu a visita do Dr. Gui, um veterinário que quando viu gato preto ficou encantado com ele.
Pegou-o e examinou-o.
Realmente, ele estava muito bonito, tinha todas as características da raça e o pelo preto, agora era farto e macio.
- Um angorá inteiro preto é muito raro e vale um bom dinheiro. Não quer vendê-lo?
- Bem, eu nunca pensei nisso, mas, por que não?
Combinaram que o gato seria posto a venda em uma loja de animais.
Clementina ficou desesperada. Ia separar-se de novo do filho!
O amigo até aventou a hipótese de vendê-la também, pois, afinal ela era de raça pura, mas o veterinário disse que não seria possível, porque ela já era muito velha.
O gato ficou exposto em uma loja não muito distante dali e Clementina todo dia passava por lá para vê-lo.
Um dia Zaqueu passou por lá e viu o gato. Chamou-lhe a atenção a beleza do mesmo e teve uma idéia. Ia comprá-lo e levá-lo de presente para Silvana.
Desde que os gatos sumiram de casa Silvana estava zangada com ele. Achava que ele tinha dado fim nos dois por causa das brigas e daquela bobagem de achar que o gato estava dando azar.
Agora ele levava aquele gato preto, tão bonito para mostrar a ela que não tinha mais qualquer prevenção com gatos pretos. que tudo que queria era vê-la feliz.
E foi o que fez.
Clementina que estava por perto viu tudo, mas Zaqueu não a viu.

Silvana mal podia acreditar no que estava vendo. Zaqueu comprara um gato para ela! Um gato preto! Isto era uma mensagem de paz! Um pedido de desculpas que ela não tinha como não aceitar!
Mas não parou ai a alegria de Silvana. Quando saiu no jardim com o gato no colo,viu uma gata branca junto ao portão.
Clementina viera atrás do filho. Retornara ao seu antigo lar que era onde ela sempre quis estar.


Bisa Maith
4:58 PM

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Ilustração: LU FARIAS
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