A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS

///A CIRANDA DAS FLORES E DOS BICHOS///


HISTÓRIAS INFANTIS = ILUSTRAÇÃO DE LU FARIAS

2006-08-02



AMAURI E O COELHO


Alguns garotos foram fazer um acampamento a beira de um rio.
Divertiram-se muito acendendo a fogueira, assando milho verde e batata doce e arrebentando pipocas.
Fizeram até uma macarronada com o molho feito por uma das mães.
Levaram um montão de coisas e esqueceram de outra porção. Riram muito quando tiveram que improvisar tudo o que tinham esquecido.
Jogaram bola, nadaram no rio, brincaram o dia todo e a noite, exaustos, foram dormir nos colchonetes embaixo das barracas.
Mas o Amauri não conseguia pegar no sono. Tinha areia no seu colçhão e o travesseiro era muito duro.
Que saudade da sua cama sempre limpa e bem arrumada com seu travesseiro macio!
O banho de rio é divertido, mas não substitui o chuveiro quente, o sabonete e a toalha limpa
Além disso, estava com fome e não queria comer milho nem batata. Queria um copo de chocolate quente que costumava tomar todas as noites.
Mas fazer o quê? Os amigos caçoariam dele se reclamasse dessas coisas. Afinal ele quis fazer o acampamento e acampamento é isso ai.
Sem conseguir se acomodar, enquanto todos já dormiam ele levantou-se e foi dar uma volta.
A noite estava linda, enluarada, com o céu pontilhado de estrelas. Lá embaixo o rio escuro, um tanto ameaçador e mais além a floresta, os morros ao longe.
Como é bela a natureza!
Sentou-se sobre uma pedra e deixou o pensamento solto. Havia tanta coisa que ele não sabia. Que é que haveria além do que a vista alcançava? Como seria uma estrela vista de perto?
De repente ouviu um barulho nas folhas.
Antes que pudesse pensar qualquer coisa um coelhinho silvestre apareceu na sua frente.
- Que belezinha! Vou levar você pra casa!
- Não faça isso, respondeu o coelho para surpresa de Amauri.
- Um coelho falante! Agora é que eu vou levar mesmo você para morar comigo na cidade.
- Não faça isso, repetiu o coelho, eu ia sofrer muito. Podia até morrer de tristeza.
- Que nada! Eu farei um viveiro confortável para você onde terá sol e sombra, não deixarei faltar água fresca e comprarei todas as manhãs cenouras para você comer.Os coelhos gostam de cenouras, não é verdade?
- Prefiro continuar aqui. Dormir na toca que eu mesmo escolhi para mim e comer o que encontrar por ai.
- Mas existem animais ferozes e caçadores desalmados que podem matá-lo. Na minha casa você estaria em segurança.
- Eu nasci para viver no campo e se for morto, paciência! Todos temos que morrer um dia.
Eu acharia falta do meu canto da mesma forma que você, se fosse morar na minha toca,. acharia do seu. Cada um de nós tem suas preferências e suas necessidades.
O coelhinho afastou-se e Amauri não fez nada para detê-lo.
De repente sentiu muito sono, voltou para a barraca, deitou-se sem se importar com a areia nem com o desconforto do travesseiro e dormiu até de manhã.
Todos levantaram muito cedo prontos para novas aventuras. Ninguém tem vontade de ficar até tarde enfiado em um saco de dormir.
Um dos meninos perguntou:
- O que vamos comer hoje? Qual vai ser o cardápio do nosso segundo dia de acampamento?
- Podia bem aparecer um coelhinho silvestre para a gente matar e assar na fogueira, exclamou outro.
- Não, gritou Amauri. isto não!
Os outro riram:
- Por que não?
- Porque ... porque eu não gosto de carne de coelho
Teve vontade de contar o que lhe acontecera a noite, mas não teve coragem pois sabia que eles não iam acreditar. Iam pensar que ele estava mentindo ou que tinha sonhado.
Aliás, já então, ele não tinha muita certeza de não ter sonhado mesmo ...


Bisa Maith
2:20 PM

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Ilustração: LU FARIAS
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