DÁ O PÉ, RIQUINHO!
Um papagaio muito jovem foi apanhado na mata e levado para a cidade, a uma casa onde já havia um papagaio bem mais velho.
Como chamavam o papagaio velho de Rico começaram a chamar o papagaio novo de Riquinho.
Riquinho estava muito triste e se queixava para o velho companheiro.
- Não gosto desta gente. Colocaram uma corrente na minha perna, presa a gaiola para eu não poder ir mais longe.
- Você precisa ter paciência. Quando você estiver acostumado e eles tiverem certeza de que não vai fugir. você será solto.
- Se me soltarem eu vou embora.
- Por isso mesmo é que você precisa ficar preso, Se não, foge.
E enquanto o Rico passeava pelo quintal, andava sobre o muro e até escondia-se entre as folhas de uma árvore, o Riquinho ficava preso na gaiola amargando sua sorte.
Às vezes D. Herminia, a mamãe dos meninos, chegava até à gaiola e tentava brincar com ele. Estendia-lhe o dedo:
- Dá o pé!
Mas ele dava era uma bicada no dedo dela.
- Ai! Papagaio sem educação! Eu ainda vou dar você para o gato comer!
Mas não dava. Pelo contrario, oferecia-lhe comida e tentava ¿coçar o piolho¿.
Outra bicada e ela desistia. Ia brincar com o Rico que subia no seu dedo e cantava com ela
- Comprei um pé de porco ...
- Pra fazer farofa
- Fa fa fa fa fa fa fa farofa!
O Rico dizia para o amiguinho:
- Você precisa aprender a língua dos homens.
- Enquanto não me soltarem não aprendo nada nem faço nada que eles querem.
- E quando soltarem?
- Eu vou embora.
- Por isso é que não te soltam. Enquanto não tiverem certeza de que você não vai fugir você vai ficar preso.
- E como é que eles ficaram sabendo que pretendo fugir? Será que nos ouviram conversando?
- Não. Eles não entendem a língua dos papagaios. Neste ponto somos mais inteligentes do que eles. Nós aprendemos a língua deles, mas eles não aprendem a nossa.
Mas eles são muito espertos, Não adianta bater de frente com eles. E melhor ser bonzinho. Afinal, a vida de papagaio aqui não é tão ruim assim.
À medida que o tempo passava, Riquinho começou a convencer-se de que só tinha a perder continuando com a sua birra.
A mamãe desistiu de mexer com ele e proibiu as crianças de chegarem perto pois ele dava bicadas muito doloridas.
Enquanto isso o Rico que era mansinho vivia de dedo em dedo conversando com uns e com outros na língua dos homens.
Naquela manhã, Aristeu, o papai, que era o único que não tinha medo do Riquinho, chegou perto e estendeu-lhe o dedo já esperando pela bicada:
- Dá o pé!
- Com muito esforço ele repetiu:
- Dá o pé!
E subiu no dedo dele.
Aristeu ficou surpreso, como é que ele mudou de repente o comportamento?
Tentou falar outra frase:
- Riquinho do papai
- Riquinho do papai!
Riquinho começou a achar divertida a brincadeira. A língua dos homens lhe parecia fascinante.
O papai tirou a corrente de sua perna e levou-o até a cozinha para exibir suas recém adquiridas habilidades.
Todos ficaram encantados. Principalmente as crianças. Queriam ensinar tudo de uma vez, mas é claro que ele só conseguiu aprender algumas palavras.
Mas divertiu-se muito. Que tolo que ele fôra ficando tanto tempo amuado!
Só bem mais tarde o levaram de volta à gaiola mas ele nem se incomodou com a corrente pois já sabia que estava por pouco. Em breve ele seria tão livre quanto o Rico.]
E nem pensava mais em fugir.
Bisa Maith
11:24 PM